Domingo, 16 de Novembro de 2008

Uma noite na ópera- programa bom em má companhia...

 

E como ninguem é de ferro,  ontem fui assistir à ópera 'Cinderella'  no Long Center ,  que fica a apenas 5 minutos aqui de casa.

 

O novo teatro de ópera e balé aqui de Austin é muito bonito ( bem moderno)  e foi inaugurado no começo deste ano. 

 

Neste fim-de-semana,  como meu marido foi  visitar seu pai  em Baltimore  , na costa leste,  (  No começo do ano  ele passou por uma cirurgia bastante delicada de coração...) e eu resolvi ficar por aqui mesmo ( Voar é algo que sempre me estressa ,  ainda mais se fôr apenas por um final de semana !), aproveitei para ir ver a ópera de Rossini com uma amiga,  digo, uma conhecida.

 

Desde sua inauguração ,  o Long Center já encenou  'Carmem'  de Bizet ,   (  ver post  :  'A Paixão por Carmem e o epicurismo' ,  de 2 de maio...) ,  'The Bat'  ( O Morcego)   de Strauss ,   e agora 'Cinderella' ,de Rossini !

Como dá para perceber,  eles tentam intercalar obras do repertório clássico com algo mais 'contemporâneo' -  para não dizer 'americano' . :-)

 

 

Eu sempre gostei de contos de fadas.  De histórias românticas e com o final feliz. 

Não é a toa que Jane Austen é minha autora preferida e 'Pride&Prejudice' ( Orgulho e Preconceito)  meu livro de cabeceira  ! lol

 

Nesta produção de 'Cinderella' , a  estória da Gata Borralheira foi transportada para a Hollywood dos anos 30.  O 'príncipe' é um produtor famoso  a procura de sua 'musa inspiradora',  o padrasto  mau caráter da moça é um dono de teatro falido e as suas  irmãs mocréias ,  duas  'aspirantes à atrizes' , que naturalmente gostariam de dar o golpe no produtor !

 

Na verdade eu teria preferido a estória  original -  a do castelo na Idade Média :-)),   do príncipe a cavalo,  da abóbora transformada em carruagem e  do baile no palácio...

Não fiquei tampouco  incrivelmente impressionada com os cenários-  na verdade achei-os meio 'pobres'  e com muito pouco glamour .   Afinal  era para estarmos em plena Vaudeville Hollywoodiana !

A música de Rossini tambem achei extremamente medíocre -  mas a 'Cenerentola' ( Cinderella, em italiano) ,  encenada pela primeira vez em 1817 em Roma  , não é , de qualquer forma, considerada a obra prima do compositor.  ( O 'Barbeiro de Sevilha' , sim! )

Apesar de tudo,   fiquei realmente impressionada com a mezzo -soprano no papel título.

Que voz maravilhosa e que técnica extraordinária !  A moça deixou todo o resto do grupo no chinelo!!

Chama-se Sandra Piques Eddy ,  é original de Massachusetts e já estrelou em papéis títulos na Ópera de Chicago e Nova Iorque, entre outras.

 

 

De uma maneira ou de outra,  ir ao Long Center para mim é sempre um enorme  prazer.

Adoro aquela construção moderna     ( tem algo de Niemeyer...)  ,  com a vista do skyline da cidade.

 

Adoro ver as pessoas , for once,  bem vestidas e produzidas -  coisa cada dia mais rara hoje em dia,  até mesmo em Paris ...- o que dirá de Austin, que é conhecida no Texas como  'a cidade mais 'natureba , informal e despretenciosa que há  ...' - principalmente quando comparada à Houston ou Dallas !

 Por fim, adoro todo aquele ritual de chegar ao teatro,  tomar um drinque no bar,  admirar a vista  panorâmica do centro da cidade já iluminado ,  sentar-me em meu lugar e começar a ler o programa com a sinopse do espetáculo.

Felizmente meu marido tem sensibilidade o  bastante para apreciar este tipo de espetáculo sem se sentir 'torturado' :-))  Ainda bem !   Eu jamais poderia ter me casado com um philistine...

É nestes  momentos que  eu me sinto como a  própria Julia Roberts indo à opera com o Richard Gere  no filme "Pretty Woman"!   

 

Mas não ontem. 

É que minha amiga  ( ou melhor,  conhecida...)   C. ,   não é das pessoas mais animadas para se sair ,  mas como havia cruzado com ela na última vez que estivemos no Long Center , resolvi chamá-la para ir comigo à opera . 

Infelizmente,  acho que no final teria feito melhor em ir sozinha!   

 Pra começar,  senti-me um pouco 'culpada' já que nos sentamos em lugares diferentes -  o meu era na fileira A e o dela na L , e portanto muito mais afastado do palco.

Como ela mora longe,  convidei-a para dormir lá em casa depois do espetáculo. 

Antes de saírmos, fazemos uma 'boquinha' ,  pensei. 

Comprei então um Prosecco, um queijo italiano e umas azeitonas gregas para degustarmos antes de saírmos para a ópera. 

Então descobri que ela não bebe -  NADA !

Para completar, ela chegou  lá em casa quase em cima da hora de sairmos para o teatro pois estava vindo direto do trabalho.  Acabamos saindo sem jantar e deixamos para comer na volta . (  O resultado foi que durante o segundo ato meu estômago já estava 'cantando' quase tão alto quanto a soprano!)

 

11:00 pm  e chegamos em casa. 

Já que  beber Prosecco sozinha não é tão agradável quanto quando se tem companhia..., fizemos um lanche de baguete, queijo, brioches e chá de limão com gengibre.

( Eu concluí que  aquela hora da noite ela não beberia chá preto...)

 

Como na manhã seguinte  C. iria acordar cedo para fazer uma aula de ioga, eu lhe disse:

 

-Provavelmente vou estar dormindo quando você sair.  Vou deixar o café com a água  já  na cafeteira para você tomar de manhã .  É só ligar o botão ...

 

Então sou informada de que C. não toma café ( por causa da cafeína) .  Nunca!

Só chá de ervas... *Suspiro e levantar de olhos*

Aliás,  ela é do tipo que leva o próprio chá natureba pra  tomar na casa dos outros...

 

 

 Definitivamente, o melhor é  mesmo aguardar até domingo à noite  quando meu marido voltar de Baltimore para abrirmos  a garrafa de Prosecco. 

Realmente,  algumas pessoas são  mesmo (  para usar uma expressão  inglesa usada na tradução da ópera italiana de ontem à noite )  : 

  ' Like  champagne without the bubbles... '

 

 

 

 

 

 

 

 

sinto-me: Entediada com certas pessoas
publicado por Pâmelli às 20:40
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Quinta-feira, 30 de Outubro de 2008

Bumper Stickers

 

 

 

Uma coisa que me chamou a atenção logo que cheguei na América foram  os bumper stickers ( aqueles adesivos que as pessoas gostam de colocar na traseira dos carros...).

Muitos americanos adoram os bumper stickers e alguns são realmente muito divertidos e inteligentes.  Muitos tem mensagens políticas.  Outros são mais pessoais e  refletem as idéias e a  personalidade do motorista.

 

Até hoje,  quando vejo um bumper sticker  ,  que eu concorde com ele,  que o ache completamente idiota ou que simplesmente discorde da idéia, um sentimento que é um misto de surpresa e admiração sempre  toma conta de mim e eu penso:   

 

"  Bacana.    Isto é que é democracia de verdade!

  Você põe o sticker que quiser na traseira do seu carro ( contra ou a favor do Bush;  liberal ou conservador,  espirituoso ou carola...) e ninguem se importa.  

Sobretudo,  ninguem se atreve a pichar ou vandalizar  o seu veículo ,  a xingá-lo  através da janela ou ridicularizá-lo  simplesmene porque não concorda com sua posição política, sua  filosofia de vida ,  sua  religião ( ou a falta dela)  ou sua preferência  sexual .  

O vidro traseiro ou para-choque de seu carro é o seu outdoor pessoal :  ninguem é obrigado a comprar o que está anunciado, mas existe o respeito pela  ideia e propriedade alheia.

 

Já  no Brasil não é tão  comum vermos  carros com bumper stickers.  A maioria simplesmente traz  o anúncio de uma academia de ginástica,  uma  escola de Tae Kwon Do  ou instituto de beleza.  Poucos....Pouquíssimos mesmo,  deixam clara a posição política , sexual ou filosófica do motorista.  O melhor e mais seguro é mesmo se calar.

 

De vez em quando vemos um  bumperzinho com o nome de um candidato à prefeito ou vereador.

Para Presidente já é mais raro - com a exceção dos petistas é claro...  Afinal estes não temem nenhum tipo de 'retaliação' por  parte das 'elites' !

Já esta última,   não sei se por medo de algum ato de vandalismo,   por discrição ou simplesmente por um sentimento de 'culpa' ( o brasileiro,  ao contrário do americano,  quando é bem de vida frequentemente se sente 'culpado'...), geralmente 'fica na sua' ,  ou seja,  não coloca nada no traseiro do seu carro que possa lhe 'comprometer' ...

 

Hoje eu vi um  aqui que me divertiu bastante.  Dizia o seguinte:

"Sarah Palin:  Dick Cheney in lipstick "    ( Sarah Palin:  o Dick Cheney de baton...)

Adorei ! :-)

 

Me lembro  quando os E.U. invadiram o Iraque ( o ano que cheguei à América)  e a França foi praticamente o único país a se declarar ABERTAMENTE contra  a invasão, criticando duramente o ataque  americano.  

Na época a maioria dos americanos  ( enganados pelo governo e todas as mentiras de Bush, Cheney e sua corja...) ficaram indignados pois muitos realmente acreditavam que o governo estava fazendo a coisa certa.  Aqui no Texas, que é ' terra de republicanos' , muitos passaram a usar bumper stickers antagonizando a França.   

Um dia ,  contudo, li o seguinte no traseiro de um carro pequeno e ecologicamente correto , ou seja,  evidentemente pertencente à um democrata : 

" France was right and the RIGHT was wrong..."    :-) 

( O trocadilho não funciona em português mas a idéia é a seguinte:  A França estava certa e a Direita ( o governo de Bush) estava errada...)  

  Achei o máximo e quase cheguei a pôr um igual no meu carro -  mas depois meu 'lado brasileiro' falou mais alto e decidi 'ficar na minha' , com receio que algum caipira bitolado resolvesse dar uma martelada no meu Mercedes velhinho...:-)) 

(  A verdade é que os  'traumas' dos brasileiros com a violência  não se perdem assim, tão facilmente.  Mesmo depois de anos morando fora...) 

 Me lembro de ter ficado surpresa com o que eu imaginei na época ser  'a coragem e audácia  do motorista' ao colocar algo assim no seu carro .

Era como se hoje no Brasil , com o Lula tendo mais de 70% de aprovação , alguem pusesse um bumper sticker na sua traseira  dizendo :  "  Presidente idiota e  analfabeto"   ! 

Dá pra imaginar o que aconteceria com o seu belíssimo carro?

 

Hoje, contudo , sei que não foi coragem daquele  motorista americano   .  Foi apenas conhecimento e  confiança total  no próprio país e sociedade onde vive. 

O carinha,  apesar de ser a minoria,   sabia que ninguem iria fazer nada contra o seu carro ou ele próprio. 

 Assim como todos os americanos,  ele estudou a Constituição e conhece os seus direitos.  Ele se lembrou da Primeira Emenda  !  ( Aquela  que fala sobre o direito do cidadão a expressar livremente sua opinião, religião etc...)

 

Isto me fez pensar que  no Brasil ninguem conhece direito nem a Constituição

(  Qual é  mesmo a que estamos no momento??) nem a língua portuguesa.

Como  se pode conhecer algo que muda todo dia??

Ah,  como seria bom se  os brasileiros imitassem algumas coisas dos americanos que não fossem simplesmente os tênis Nike,  os I-pods,  os hambúrgues com batatas fritas,  os peitos siliconizados  e cabelos oxigenados,  os jeans  surrados com a cintura no meio da bunda e  a bainha rasgada...

 

Quanto aos bumpers stickers,   entre os que eu acho bastante 'Duuuuuuuuuuuuuh'  estão o famoso ' Baby on Board' (  Who cares??  Se o motorista de tras fôr  uma pessoa de bem ,  vai respeitar o carro da frente de qualquer maneira - não importa se  este esteja transportando  um adulto,  uma criança ou um papagaio!  Ele simplesmente respeita a vida -  TODA ela. 

Já se fôr um maníaco,  pouco se importará se o carro estiver com um 'baby on board' ou não...) ;  e o ' My son is an honor student '  -  o tal que anuncia que o filho do motorista é um aluno exemplar -  em outras palavras :  um CDF. 

Dá pra imaginar  um sticker no Brasil dizendo  "Meu filho é um CDF" ??!

Que mico. 

 

  Mas para contrabalançar  tanta patetice,  tem um ótimo que diz:

"My dog is smarter than your Honor Student ! "   LOL  ( Meu cachorro é mais esperto que o seu filho CDF! " 

 

E finalmente vem o meu preferido de todos.  Este,  se eu encontrar pra vender em algum lugar , porei no meu traseiro (  digo,  o do meu carro...) . 

Ele diz o seguinte:

 

" God,  help me be the person my dog believes me to be ..." :-))

( Deus,  ajude-me a me tornar a pessoa que o meu cachorro pensa que eu sou...)

 

Faz sentido não acham? 

Afinal,  nossos cachorros realmente acreditam que somos  A MELHOR PESSOA DO MUNDO ,  absolutamente sem defeitos e simplesmente o MÁXIMO! 

 

Pra mim , pelo menos , este bumper sticker é imbatível.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

sinto-me: Apenas observando em volta...
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Sexta-feira, 4 de Julho de 2008

Discriminados ou poupados no 4 de julho??

 

 

Ontem fui fazer um facial   ( limpeza de pele relaxante)  com minha amiga J. , que trabalha em sua casa. 

Seu filho é casado com uma grande amiga, de anos,  de meu marido - além de ser  sua colega de trabalho. ( Aliás foi meu marido quem lhe indicou para sua  atual posição  na companhia)

Trata-se de um casal muito boa gente ,  que teve seu primeiro ( penso eu, único ...) filho há uns 3 anos. ( É , parece que virou moda nos E.U. , se  ter filhos depois dos 40...) 

 

Naturalmente,  para não fugir à regra,  minha esteticista J. não se dá bem com sua nora, A. 

( Que sorte a minha que nunca tive problemas com nenhuma das minhas duas sogras - nem a do primeiro casamento , nem a do segundo !! lol) 

Tudo uma grande besteira - ciumeira boba , tanto de uma parte quanto de outra.

Enfim, o fato é que por acaso , acabei sabendo por J.  que o casal (A. e seu marido L.) neste fim de semana vai fazer uma GRANDE festa em casa para comemorar o 4 de julho ( Dia da Independência americana) e que tanto eu quanto meu marido fomos deliberadamente deixados de fora. 

Segundo J.,  ao perguntar à nora " Vocês não vão chamar a Pamelli e o marido dela?"  a resposta curta  e simples que recebeu foi  :  'Não'.

 

É interessante que apenas alguns dias atras escrevi um post justamente falando sobre as pessoas childfree ( incluindo casais childfree) e como frequentemente elas são deixadas de fora de certos eventos sociais e familiares.  Neste caso,  vejo duas explicações possíveis para a decisão do casal de  não nos convidar para sua festa do 4 de julho :    ou foi de fato discriminação ( já que a maioria das pessoas presentes estarão com seus filhos)  ; ou  a dona de casa resolveu  nos ' poupar'  ( especificamente à MIM...)   de outra experiência 'desagradável' ,  que certamente seria inevitável , caso estivéssemos presentes no evento :  ter de reencontrar a ex-namorada de meu marido ( hoje casada e com dois filhos)  em sua casa ,   uma vez que tanto ela quanto seu marido são muito amigos de todo o grupo e certamente estarão presentes.  

(Eu sei, isso  mais parece um capítulo de novela...:-))

 

Na verdade meu marido não tem nada contra encontrar sua ex-namorada e  seu marido .  Aliás ele até simpatiza  com o tipo e ( entre nós)  costuma dizer que lhe é 'imensamente grato' por  ele ter ficado com 'aquela que ele não quis...'  :-)))  Eu , por outro lado,  embora não tenha nada contra nenhum deles,  simplesmente ( por razões óbvias) prefiro não encontrar  o povo onde quer que seja.  (  E isto,  tenho certeza ,  meu marido já  deve ter avisado  à sua colega A...)

Portanto,  ao meu ver,  o casal ( A. e L.) pode perfeitamente ter decidido não nos convidar para a festa,  seja porque sabem que o outro casal ( muito amigo deles) estará presente,  seja simplesmente porque estão de fato nos discriminando pelo fato de sermos , muito provavelmente , o único casal childfree do grupo!  Talvez até as duas coisas juntas!! :-))

 

Seja lá o que fôr,  para mim é uma benção!  lol

Primeiro porque acho este tipo de gathering um PORRE  -  queima de fogos,  a criançada toda correndo e gritando por todo lado,  ter de ficar sorrindo e ouvindo aquelas eternas conversas chatas ( americano só fala de três coisas:  seus filhos,  seu trabalho - nesse caso,  quase todo o mundo metido com informática e tecnologia...Zzzzzzzz... *bocejo*  -   ou a reforma que está fazendo na  própria casa  !   Juro,  é isso mesmo,  e eu só falto morrer de tédio! )  Por fim,  para completar , ainda ter que encontrar  ( e fazer 'small talk' ...)  com a ex-namorada de meu marido e sua família ??

   Ninguem merece!!

 

Apesar de tudo,  senti pelo meu hubby,  pois sei que ele gostaria de reencontrar os amigos e participar da festinha.  (Aliás,  todo ano ele costuma ir ao parque ver os tais 'fogos'  -  que eu abomino,  pois me lembram da aglomeração e tumulto dos réveillons da Praia de Copacabana...:-((   - e ouvir as bandas tocar as marchas patrióticas . Zzzzzzzzz...*Bocejo*.  Nestas ocasiões eu geralmente fujo para o shopping ,  janto no meu café preferido e depois pego uma sessãozinha de cinema...:-)))

As conversas  ( tirando as estórias dos filhos do povo...)  até que o distraem ,  já que ele tambem trabalha no ramo  de informática e  , por outro lado , se interessa em falar  e ouvir estórias sobre 'reformas de casa'...:-)))  ( Já brasileiro ODEIA isso,  uma vez  que no Brasil  costumamos contratar alguem para pintar a casa , pôr o piso novo, fazer a piscina etc...,  - graças à mão de obra barata que temos-  , e portanto para nós  isto não é assunto de 'conversa social'...) 

 

Enfim,  depois de minha sessão com J. ,  acabei voltando pra casa sentindo-me meio 'culpada'  pois afinal  pensei que  se ele  ainda estivesse  solteiro ,  ( 'solteirão' , na verdade :-)),  pois só veio a se casar  pela primeira vez  aos 45 anos!!)  certamente teria sido convidado para a festa!  Então, ainda no carro,   me lembrei  de todas as vezes  quando ele me disse que 'é muito mais feliz hoje do que era antes, quando solteiro ...'  ;  que não pensaria duas vezes em se casar comigo  novamente...' ;  e me lembrei  tambem das flores que ele me trouxe , não uma mas várias vezes ,  simplesmente para dizer que 'me ama' ...

 

À noite, quando voltou do trabalho ,  meu hubby  encontrou a mesa mais bem posta do que de hábito  ( Normalmente eu sempre ponho uma boa mesa pois sou mesmo assumidamente 'gourmet ; - sou magra de ruim mesmo !! ) : 

Uma garrafa de cabernet sauvignon  pronta para acompanhar o steau au poivre que preparei especialmente ( para descarregar a consciência??) ,  e que sei que ele adora.

De sobremesa:  brownies e morangos com creme...:-)

 

Por fim, resolvi poupá-lo com meu  silêncio. 

Se depender de mim ele nunca vai saber da festa de 4 de julho na casa de A e L.  e da 'esnobada' que levamos  de seus velhos  amigos.  (  gente  inclusive que lhe deve o emprego que tem!!)   Melhor assim.   

Deixe que   vá  ver os fogos no parque com nosso vizinho , G. , como costuma fazer todo ano ,   enquanto  eu pego minha sessão de cinema no  shopping .    -:)                                                         

 

Como dizem os próprios americanos:    What you don't knowwon't  hurt you...

 

  

 

 

 

 

 

 

 

sinto-me: mais poupada que discriminada!
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Quinta-feira, 15 de Maio de 2008

Americanos que estudam português

 

Desde que vim para os E.U. , há cinco anos,  dou aulas de português ( do Brasil) para americanos em mais de um local da cidade.  Tenho alunos no curso informal da universidade ( aberto à população em geral e não apenas aos alunos da universidade...) ,  em um programa para idosos aposentados e , em casa,  para alunos particulares. 

A maioria de meus alunos são americanos - geralmente do tipo 'democrata' ,  quer dizer :  mais liberais ,  menos 'capitalistas' ... Aqueles que não dirigem SUV's ( carros MONSTROS , que engolem litros e mais litros de gasolina por minuto...),  assistem aos filmes de Michael Moore  e , apesar de amarem seu país,  NÃO acham que os E.U. são o único, o maior e o melhor lugar do mundo para se viver.  Seriam , o que poderíamos chamar da ''versão americana do socialista '  - se tal coisa existisse na América...:-))  

 Resumindo:  não são americanos 'típicos' .  Daí o seu interesse em aprender e descobrir ,  entre outras coisas,  uma língua tão sem importância no mundo quanto o português! :-)) ( Pois convenhamos...  Para quem já fala inglês,  seja como sua língua materna ou estrangeira,  o aprendizado de qualquer outra língua no mundo torna-se supérfluo e totalmente desnecessário. A decisão do aprendizado deve-se simplesmente  à  uma curiosidade,  um amor pessoal pelo país, povo ou cultura daquela língua ou ...para  'fazer charme' e ser diferente da maioria das pessoas ... :-)

Todos os meus alunos aqui têm alguma razão específica para quererem aprender português:  uns são casados ou namoram brasileiros e algum dia pretendem visitar o Brasil e conhecer a família de seu/sua companheiro/a ;  alguns têm motivos profissionais para aprender a língua (  a Dell, a maior empresa na cidade ,  tem uma de suas fábricas principais fora dos E.U., em  Porto Alegre , no Brasil...) ;  uns ainda têm um interesse especial pelo Brasil ,  seja porque são missionários,  desejam conhecer o 'Carnival in Rio' ou simplesmente pretendem visitar o país como turistas .

 

Em minhas turmas  há pessoas desde os vinte e poucos anos até idosos de mais de 80.  No curso do "Lifetime Learning" ,  por exemplo,  a mais nova tem 67 e o mais velho 82  !

Há três anos nos divertimos lendo artigos da VEJA,  assistindo à algumas cenas das novelas brasileiras,  aprendendo  letras de alguns  clássicos de Bossa Nova ou simplesmente  discutindo política brasileira e falando mal do Lula!  ( Ah,  minhas aulas preferidas...:-))

Como diz minha aluna Virgínia ( esta , por acaso é  do Panama....),  uma das mais interessadas e divertidas no grupo dos 'meus velhinhos' ( como eu costumo chamá-los...) : 

 

" You give them LIFE!   "  ( Você lhes dá VIDA! ) 

 

E quanto às 'festinhas'  que fazemos no final de cada semestre, heim?  Tudo regado à  muita caipirinha, música e dança!!  Como diz meu marido:  'Se alguem estiver passando na rua naquele momento e ouvir toda aquela algazarra dentro de casa,  JAMAIS  acreditaria que o membro mais novo da turma -  tirando a professora e o marido-  tem  quase 70 anos!  

 

Enfim,  já  no campo dos alunos particulares,  esta semana eu dei a última aula à uma senhora que está de partida para o Rio , já neste final de semana. 

Normalmente ,  apesar da inevitável 'camaradagem' que se estabelece entre o aluno e o professor após algum tempo  tendo aulas juntos,   não costumo me envolver pessoalmente nos assuntos e vida de meus alunos.  Neste caso,  contudo,  abri uma pequena exceção.

É que a situação é a seguinte: 

Minha aluna particular ( vou chamá-la de IG) é americana ( nascida e crescida aqui nos E.U. ). Contudo , pelo seu tipo físico,  certamente  deve ter ascendência mexicana.  Ela tem a pele bem escura,  os cabelos bem lisos e um rosto de feições delicadas, mas bem  hispânico.  Imagino que deva estar beirando os cinquenta anos ( 47? 48?). Ela  tem dois filhos já crescidos , na universidade,   e é bastante matrona de corpo ( não obesa,  apenas gordinha e fora de forma...).  Seu marido acabou de completar cinquenta anos,  é alemão ( bonitão , segundo a foto que ela me mostrou..) e está morando e trabalhando no Rio de Janeiro desde julho do ano passado - sozinho.

O casal morou muitos anos na Alemanha e  no ano passado ele foi transferido para o Rio e apenas agora , nove  meses depois,  ela resolveu se juntar à ele no Brasil...

 

Desde que começamos o programa de aulas , há três meses,  minha aluna , IG,  progrediu bastante  pois além de dedicada aos estudos,  ela já fala alemão e espanhol ,  além do inglês que é sua língua nativa.  Tem portanto jeito para línguas -  bom ouvido, boa retenção , além de ser  inteligente e interessada.

 

Creio que foram vários os fatos que me influenciaram a me 'apegar' um pouco mais ao seu caso.  Primeiro o fato de que ela está indo morar  no Rio e não apenas viajar a passeio.  Segundo o fato de que o marido já está lá há quase um ano. ( Além do mais,  é alemão , assim como meu ex-marido. )  Terceiro,  por alguma razão, ao invés de acompanhá-lo logo que ele foi transferido para o Rio , há quase um ano,   ela preferiu ficar aqui nos E.U. , perto de sua família.

Com o passar das aulas e a medida em que fui descobrindo mais sobre sua 'situação',  cheguei a conclusão de que de início ela não estava muito animada para ir  para o Brasil-  e creio que tambem não teve muito incentivo do marido para se juntar à ele na 'Cidade Maravilhosa'   ( 'Calamitosa',  hoje em dia??)

 

A verdade é que até agora minha intuição não me diz muito boa coisa do tal alemão e meu sexto sentido raramente se engana.  Pequenos 'indícios' aqui e alí;  um comentário inocente de minha aluna sobre o marido ou algo que ele fez ou disse...Uhm......Não sei não.

Minha primeira impressão é de que o homem é um pão duro de marca maior.  ( Aliás,  sendo europeu,  isto é quase uma garantia...) A segunda é que é do tipo de homem que gosta de rebaixar a mulher e fazê-la sentir-se inferior e desprestigiada. (uma coisa que me irrita profundamente e com a qual convivo muito mal , mesmo que não tenha relação direta comigo...)

Digo isto porque logo na primeira aula que lhe dei,  IG me perguntou se eu lhe indicava algum material extra que pudesse usar para complementar as aulas em casa e, quando lhe sugeri dar uma olhada no programa de computador "Rosetta Stone" , que  sempre ouvi dizer ser muito bom...,   sua resposta foi:  " Mas será que não é muito caro...?"

Ora,  seu marido,  pelo que me conste, é um dos diretores de uma companhia de petróleo no Rio de Janeiro!   É certo que deve ter um excelente salário.  Portanto a primeira coisa que pensei foi:  o espertinho deve deixar a pobre coitada à mingua aqui , enquanto que no Rio,  como todo bom gringo ,  deve estar gastando os tubos com a piranhada local...

( Minha aluna é 'dona de casa'  e portanto totalmente financeiramente dependente do marido...)

 

Mas isso não foi NADA  comparado ao que  ela me disse,  outro dia:  

"Meu marido me disse que lá (  no Rio...) ,  quando olharem pra mim  as pessoas vão pensar que sou empregada doméstica..."

O que??!   Que tipo de homem diz  uma coisa destas à própria mulher?  A mãe de seus dois filhos?!   Quase pulei da cadeira de tão indignada!  

 E eu aqui,  há semanas lhe dando aulas, lhe incentivando,  lhe dando  dicas do que fazer e como aproveitar melhor sua estadia  no Brasil  ,   animando-a ( já que sua ida agora é certa e decidida),  ajudando-a a se livrar das inseguranças e preocupações com a aparência ( o peso,  as cicatrizes na barriga por causa de duas cesarianas..etc..).  E o homem me sai com uma dessas!!

 

- De jeito nenhum !  -   disse-lhe .  -  Pra começar,  você nem tem cara de brasileira.  Mais parece mexicana.  Logo vão ver que é estrangeira.  Além do mais,  no Brasil o que importa  não é a aparência  física  mas principalmene  como você se apresenta.  Deve se vestir bem, principalmente à noite, quando fôr ao cinema em um shopping mais badalado ou jantar fora em um restaurante melhor...

 

E deitei a lhe recomendar algumas das melhores ( e mais caras !) lojas da cidade -  assim como salões de beleza, academias de ginástica,  esteticistas , dermatologistas etc..etc...

Até  o nome de duas lojas de trajes de banho mais tradicionais e para mulheres não tão jovens,  mas de griffes  locais famosíssimas eu lhe dei !   :-))

 

-Afinal,  se não quiser usar biquini  na praia  tudo bem.  Mas  então compre um maiô inteiro bem chique e moderno , em uma destas duas lojas. Mas prepare a carteira , porque baratas não são... - completei.

 

Ela concordou com tudo  e disse que vai seguir minhas sugestões à risca.  Disse-lhe tambem que fizesse  logo a assinatura da VEJA ,  ' para saber tudo de bom que acontece na cidade durante a semana.'   Lhe falei sobre o elegante bairro onde ela vai morar,  de frente para o mar.  Do shopping mais chique  e  badalado da cidade,  que fica a poucos metros dalí...  Dos melhores restaurantes, os teatros, os shows e programas culturais que a cidade tem a oferecer.  

 O resultado é que agora ela está bem animada com a viagem iminente.  ( Naturalmente eu não lhe falei sobre a  epidemia de dengue e  a concorrência desleal feminina local pois afinal , acho que ela já recebeu bastante desincentivo do marido !!  Contudo,  não pude deixar de lhe dar  algumas dicas importantes para sua própria segurança...)

 

O alemão ,  por outro lado ,  lhe disse que quer 'me conhecer'  antes de partirem de vez para o Brasil.  ( ele está aqui esta semana...) .  Com certeza deve estar imaginando que RAIO  de professora é essa que,  de repente,  conseguiu animar  sua  mulher a se juntar à ele no Rio  e , ainda por cima , lhe dar um MONTE  de dicas de  ' como ela deve  gastar o  dinheiro DELE  por lá !! :-))

( Ora bolas,   se ele não gastar com a própria mulher,  é certo que vai  acabar gastando com a mulherada local - se é que já não está fazendo isso ...)

 

Enfim,  na sexta  vamos sair para  jantar fora -  eu , meu marido, ela e o alemão. 

Confesso que já estou  mais do que implicada com o tipo, antes mesmo de conhecê-lo.  ( A ultima  do chucrute foi  dizer à ela que ela estava dizendo  a palavra 'EU' errado.  ( E ela tem ótima  pronúncia  e  muito pouco sotaque! )   Pode? ! 

 Disse -lhe que se pronunciava assim:   'Eeuuuuuuuuuuu' ... 

 Pensei comigo:  "  É ,  só se fôr lá com as  nega dele ..."

 

Ok ,  prometo tentar me conter.  Mas é bom ele não tentar ficar botando a mulher pra baixo na minha frente. 

No que depender de mim,  a estadia de IG no Rio vai ser inesquecível.  Afinal ela vai estar morando em um super apartamento  com vista para a  Praia de São Conrado :-)   e já teve todas as dicas culturais,  gastronômicas, de costumes,  lazer e segurança que precisa.

Esse alemão , se está pensando que a mulher  vai ficar trancafiada em casa , dando uma de doméstica enquanto ele cai na gandaia por lá, está  redondamente  enganado...

 

 

 

 

 

 

 

 

sinto-me: a própria vingadora
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publicado por Pâmelli às 20:18
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