Sexta-feira, 24 de Junho de 2011

Que país é ESSE ??

Categoria de post:  Denúncia/desabafo/vergonha

 

Hoje ,  celebrando o fim do meu  abominável curso  de ‘Composition 1’  do ACC , no qual tivemos de aprender , entre outras coisas,  como  citar corretamente  os dizeres de um autor ao escrevermos o nosso próprio texto… , resolvi vir ao ‘Parada’ para deixar alguns quotes (muito inconvenientemente verdadeiros, diga-se de passagem…)  que andei lendo por aí  nesta última semana.

 

Em seu ensaio  “O ministro não conta”   na  VEJA de 8 de junho, por exemplo,   J.R. Guzzo nos diz que ( e pros diabos com as regras de Professor S. , que isto aqui é apenas um blog! ) “Todo país subdesenvolvido tem mosca;  não há exceções.  Os aeroportos , em vez de terem a sua volta hotéis operados pelas grandes cadeias internacionais ( o que me fez lembrar do aeroporto aqui de Austin, com o Hilton  , a poucos  METROS  de distância…) , são cercados de favelas.” Last but not least, "Homicidas confessos ( tal qual o Sr. Pimenta Neves, só para citar um exemplo bem recente…) podem começar o cumprimento de suas penas onze anos após o crime que cometeram, quando não são ‘cidadãos comuns’."

  Ah,  e só para fins de ‘contraste’ (  um dos vários estilos literários que tivemos de estudar com a ‘pequena ditadora’…),  vale a pena lembrar o que aconteceu com Dominique Strauss- Kahn,  o super chefão do FMI , (que não  deu nenhum tiro , nem muito menos matou ninguem!) depois que andou se metendo a engraçadinho com uma camareira de hotel em Nova Iorque.  

Oh, well...

Mas talvez o maior sinal de subdesenvolvimento de um país seja mesmo  o seu baixo ( ou talvez devessemos dizer: baixíssimo!)  nível de educação .  E, ( pasmem!) ,  no caso do Brasil, o  próprio Ministério da Educação,  o MEC ,  em sua última  tirada de gênio,  resolveu  promover o livro  “Por uma Vida Melhor”  ( escrito com milhares de erros de  português)  e distribuí-lo  a 500 000 estudantes  ao custo de milhões de reais  para o bolso dos brasileiros. É sério.

 A ideía brilhante  por tras disso tudo é a de " transformarem  o português em uma língua ‘democrática’ e livre de regras criadas pela elite".

Que tal?  Não é de se tirar o chapéu?

 

Por fim e só para coroar,   dêem só uma olhada neste e-mail que recebi de um amigo professor no Brasil.  (Agora, depois de tirar o chapéu, nem que quisesse você conseguiria colocá-lo de volta pois depois de ler isto, seus cabelos estarão assim: {#emotions_dlg.leiria}

 

    

“ É lamentavel , mas  infelizmente é verdade...

São Leopoldo tem um dos menores índices de analfabetismo e de mendicância do país, talvez por causa de homens como este!

EMPRESÁRIO DE SÃO LEOPOLDO

Silvino Geremia é empresário em São Leopoldo, Estado do Rio Grande do Sul.

Eis o seu desabafo, publicado na revista EXAME:

 

‘Acabo de descobrir mais um desses absurdos que só servem para atrasar a vida das pessoas que tocam e fazem este país: investir em Educação é contra a lei .

Vocês não acreditam?

Minha empresa, a Geremia, tem 25 anos e fabrica equipamentos para extração de petróleo, um ramo que exige tecnologia de ponta e muita pesquisa.

Disputamos cada pedacinho do mercado com países fortes, como os Estados Unidos e o Canadá.

Só dá para ser competitivo se eu tiver pessoas qualificadas trabalhando comigo.

Com essa preocupação criei, em 1988, um programa que custeia a educação em todos os níveis para qualquer funcionário, seja ele um varredor ou um técnico.

Este ano, um fiscal do INSS visitou a nossa empresa e entendeu que Educação é Salário Indireto.

Exigiu o recolhimento da contribuição social sobre os valores que pagamos aos estabelecimentos de ensino freqüentados por nossos funcionários, acrescidos de juros de mora e multa pelo não recolhimento ao INSS.

Tenho que pagar 26 mil reais à Previdência por promover a educação dos meus funcionários?

Eu honestamente acho que não.

Por isso recorri à Justiça.

Não é pelo valor em si , é porque acho essa tributação um atentado.

Estou revoltado.

Vou continuar não recolhendo um centavo ao INSS, mesmo que eu seja multado 1000 vezes.

O Estado brasileiro está completamente falido.

Mais da metade das crianças que iniciam a 1ª série não conclui o ciclo básico.

A Constituição diz que educação é direito do cidadão e um dever do Estado.

E quem é o Estado?

Somos todos nós.

Se a União não tem recursos e eu tenho, acho que devo pagar a escola dos meus funcionários.

Tudo bem, não estou cobrando nada do Estado.

Mas também não aceito que o Estado me penalize por fazer o que ele não faz.

Se essa  moda pega, empresas que proporcionam cada vez mais benefícios vão recuar..

Não temos mais tempo a perder.

As leis retrógradas, ultrapassadas e em total descompasso com a realidade devem ser revogadas.

A legislação e a mentalidade dos nossos homens públicos devem adequar-se aos novos tempos.

Por favor, deixem quem está fazendo alguma coisa trabalhar em paz.

E vão cobrar de quem desvia dinheiro, de quem sonega impostos, de quem rouba a Previdência, de quem contrata mão-de-obra fria, sem registro algum.

 

O fiscal do INSS acredita que estou sujeito a ações judiciais.

Segundo ele, algum empregado que não receba os valores para educação poderá reclamar uma equiparação salarial com o colega que recebe.

Nunca, desde que existe o programa, um funcionário meu entrou na Justiça.

Todos sabem que estudar é uma opção daqueles que têm vontade de crescer...

E quem tem esse sonho pode realizá-lo porque a empresa oferece essa oportunidade.

O empregado pode estudar o que quiser, mesmo que seja Filosofia, que não teria qualquer aproveitamento prático na nossa  Empresa Geremia.

No mínimo, ele trabalhará mais feliz'

 

 "No  futebol, o Brasil ficou entre os 8 melhores do  mundo e todos estão tristes. Na  educação é o 85º e ninguém  reclama..."

EU  APOIO ESTA TROCA

  Troque 01 PARLAMENTAR POR 344  PROFESSORES 

                                         Salário de 344 professores que ensinam  = ao  de 1 parlamentar que rouba 

Repasso  com solidária preocupação"

 

 

Agora me digam , diante de tudo isso,  de que adianta se ter um PIB que passa dos 2 trilhões de dólares??

 

 

 

 

 

sinto-me: Infelizmente nada surpresa...
publicado por Pâmelli às 18:15
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Segunda-feira, 10 de Novembro de 2008

Aprendendo línguas estrangeiras

 

A BERLITZ  foi a primeira escola onde comecei a ensinar inglês. 

Isso já faz mais de vinte anos! ( 1986)

 

 O curso  tem  130 anos de história e tradição ( foi fundado em 1878 , em Rhode Island , USA )  e seu método de ensino  é portanto o pioneiro de todos os outros. 

A coisa interessante sobre o método Berlitz é que além de dinâmico,  ele tambem é eficiente e divertido - tanto para o aluno quanto para o professor.  A ênfase é dada principalmente na parte de conversação e pouco se ensina de gramática .  Traduções são evitadas ao máximo - algo que só é possível com o método da Berlitz , que , quando devidamente aplicado,  faz com que seja possível  desde o primeiro dia de aula,  que o aluno apenas ouça, fale e escreva na target language - ou seja, na língua que  ele está pagando para aprender!

 

Ao todo trabalhei em quatro escolas Berlitz - no Brasil ( Rio de Janeiro),  em Portugal ( Lisboa), na Alemanha ( Berlim) e atualmente nos E.U. ( Austin), onde resido.

As escolas onde ensinei tinham muitas similaridades mas tambem muitas diferenças. 

A maior diferença que notei foi quando cheguei na Alemanha ( após ter trabalhado no Brasil e Portugal) e percebi que  os professores lá eram TODOS native speakers - ou seja,  nativos da língua que ensinavam.  Em outras palavras:  os professores de inglês eram  americanos, canadenses ou ingleses;  os de francês,  franceses;  os de português,  portugueses ou brasileiros e assim por diante...

Foi com um grande assombro que a diretoria foi informada de que nas outras duas escolas onde eu havia ensinado ( no Rio e em Lisboa) ,  eu não apenas dava aulas de português ( minha língua nativa) mas tambem de inglês e francês . ( Logo alemão , que é super rígido e não tem a menor imaginação ou  flexibilidade!!)

Mesmo assim,   já que  eu vinha com uma carta de recomendação tanto do diretor no Brasil quanto da escola em Portugal,  resolveram abrir uma exceção e me aproveitar como professora destes três idiomas  na escola em  Berlim.   Afinal,  não tendo sotaque estrangeiro em inglês ( já que estudei a vida toda em escola americana no Brasil...) e muito pouco em francês ( tendo me formado na Aliança Francesa e depois passado um ano na França...) , além de conhecer o método muito bem,   ( estávamos em 94,  portanto eu já era 'veterana' na Berlitz há quase dez anos...) , concluíram que eu estava mais do que qualificada para ensinar  as três línguas na filial alemã.

 

É interessante que muitas pessoas pensam que os melhores professores têm de ser obrigatoriamente  native speakers

Isto é um grande engano - embora, ninguem vá negar que seja uma vantagem à favor do professor.

Mas se me perguntarem o  que vale mais :  um professor nativo , com pouca experiência e um método de ensino ineficiente ou um que não seja nativo ( mas , evidentemente ,  que fale  a língua  com desenvoltura e  com pouco ou quase nenhum sotaque)  ,  experiente e com um bom método de ensino...Eu lhes digo:  não pense duas vezes em  escolher  o segundo!

Você vai aprender muito mais,  muito  mais rápido e de maneira muito mais gostosa  :-).

 

 

Me lembro de um episódio divertido  que ocorreu na escola do Rio na época em que trabalhava lá:

Certa manhã,  a professora de francês  ligou em cima da hora dizendo que não poderia comparecer à aula.  A diretora entrou em pânico uma vez  que a aluna já se encontrava  a espera , na recepção .  ( Nota:  a Berlitz é o curso mais caro que há e muitos dos seus alunos são gente de  muito dinheiro e/o prestígio - presidentes, diretores de empresas etc...-  , ou seja ,  o tipo de pessoa que 'se frustra com certa facilidade...' :-)) 

Foi então que  a diretora  teve uma idéia!

Uma das professoras mais experientes  da escola , que ensinava inglês e espanhol , tambem falava francês. ( Não tinha o conhecimento do idioma ideal para ensinar a língua,  mas falava bastante bem ,  com boa pronúncia e fluência razoável...).  Naquele dia esta professora se encontrava na escola e seu aluno havia acabado de ligar  cancelando a aula de última hora.   

O que fez a diretora?  

 Você acertou.  Ela deu o seu famoso 'jeitinho brasileiro' :

Pediu  à professora  de espanhol que  ' lhe quebrasse aquele galho'  naquele dia e desse uma aula de francês.    Afinal  o método de ensino é exatamente o mesmo para todas as línguas e a aluna  era de nível iniciante (  quer dizer,  ainda estava aprendendo coisas como  ' Le livre est sur la table...' :-))).  Em outras palavras:  era muito pouco provável que percebesse que a professora substituta não era na verdade uma das professoras de francês da escola.   Bingo!

A única coisa que a diretora não contava era que , ao final da aula,  a aluna saísse da sala direto para seu escritório e lhe pedisse dalí por diante para ter aulas APENAS COM A NOVA PROFESSORA!  lol

 

O que significa isto? 

Simplesmente que a professora de espanhol era muito melhor do que a de francês ;  que provavelmente conhecia e  aplicava  o método da escola  de maneira muito mais eficiente  ( e provavelmente divertida!)  que a outra.   E  é claro,  como tinha boa pronúncia , a aluna iniciante não percebeu que a professora substituta  não tinha o mesmo domínio do idioma  que professora oficial.

Bom,  o que sei é que  no final a diretora acabou tendo de inventar uma estória para a aluna e disse que a nova professora  'não costumava trabalhar naquele horário'  e que portanto não estaria disponível para lhe dar aulas no futuro...

  Afinal o que ela não podia fazer era lhe contar a verdade ! lol

 

 

Agora comigo,  recentemente  aconteceu uma coisa parecida. 

 

Nos Estados Unidos , assim como na Alemanha ( e é possível que hoje em dia em Portugal tambem , já que faz mais de 15 anos que trabalhei na escola em Lisboa e desde então os salários em Portugal já devem  ter ficado bem próximos daqueles dos países com o estilo de vida mais elevado...) ,  todos os professores na Berlitz são native speakers

Sendo assim,  desde que vim para cá em 2003,  tenho apenas ensinado português na escola local .

 

Acontece que certo dia,  há coisa de uns quatro meses atrás,  a diretora  me ligou e disse o seguinte:

- Pamelli,  vejo na sua ficha que você dava aulas de inglês e francês tambem nas outras escolas Berlitz onde trabalhou.  Você poderia dar uma aula de francês amanhã?  A aluna está no primeiro livro mas é uma pessoa bastante exigente e difícil.

 

No problem,  pensei.  Neste últimos 22 anos de Berlitz,  não foram poucos os abacaxis que tive de descascar por aí afora...

 

No final das contas a aluna não era nenhum bicho papão.

Simplesmente uma senhora americana já de uma certa idade ( 65) , naturalmente com mais dificuldade que o normal ( devido à própria idade) ,  meio controladora (  ela quer checar todos os pontos ensinados pelo professor no manual...:-))) e principalmente....muito insegura.

Pelo que entendi,  as professsoras de francês que me precederam ,  estavam fazendo-a sentir-se ainda mais insegura e incapaz - corrigindo-a o tempo todo e quase não lhe dando a chance de tentar se expressar. 

A aluna,  apesar de ser bastante esperta e inteligente ( inclusive é uma  empresária muito bem sucedida!)  ,  apresentava  enormes dificuldades de aprendizado ( prova de que o método não estava sendo bem aplicado) e  consequentemente a cada aula  se tornava  mais insegura e frustrada.  Pior:  Já pensava em deixar a escola e desistir !

( Foi aí que resolveram recorrer à mim  -  a professora non-native-speaker -  como última esperança...:-))

 

A comédia veio após a aula:

O aluna seguiu para a sala da diretora e lhe disse que dalí em diante apenas queria ter aulas comigo.  Estava sorridente e radiante!

Ninguem entendeu nada mas como 'o cliente que paga caro deve ter sempre razão...'  , não houve discussão.  A partir dalí tornei-me a professora oficial de Mrs. G.  e  desde então já fui escalada para dar novas aulas de francês na escola.

 

Isto foi por volta de julho passado. 

Mrs .G. tem progredido bastante  , principalmente no que diz respeito à sua fluência.   Seu vocabulário é excelente e eu a corrijo sempre que  ela erra na gramática ou na pronúncia -  mas sempre com 'jeitinho' .  As aulas são divertidas e descontraídas -  assim como o verdadeiro espírito da Berlitz.  

 Minha aluna,  que é uma mulher muito bem tratada ( imagino que deva ter sido muito bonita quando jovem...) outro dia apareceu na escola e me trouxe  de presente  uma bolsa de maquiagem da Neuman Marcus (  a loja de departamentos mais metida que há nos E.U.!) , cheia de produtos caros  de beleza . :-))

 

 A conclusão?

 

Não há nada  que supere um bom método e  um professor experiente.

Nem mesmo a condição privilegiada de ser um native speaker...

 

 

sinto-me: Divertida no trabalho
publicado por Pâmelli às 20:37
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