Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Parada Essencial

Benvindos ao "Diário politicamente incorreto da Pâmelli" - uma brasileira/americana childfree, residente nos E.U.A. desde 2003 Viagens, cultura, desabafos e muito mais!

Parada Essencial

Benvindos ao "Diário politicamente incorreto da Pâmelli" - uma brasileira/americana childfree, residente nos E.U.A. desde 2003 Viagens, cultura, desabafos e muito mais!

Em Defesa do Politicamente Incorreto

Pâmelli, 08.11.20

No ano passado (2019) fez dez anos desde que  o “Copadrama- Uma Tragicomédia Brasileira” , meu primeiro romance, foi publicado.  Trata-se de uma sátira;  um retrato bastante  irônico, embora  bem humorado,  da sociedade brasileira.

De certa forma,  podemos dizer que os tipos ali retratados são bastante “típicos” (algumas pessoas diriam “estereotipados” ...) em nossa sociedade tupiniquim.  (Ih... Já ofendi alguém?)

 

A verdade é que, quase  tudo neste romance é um ENORME deboche -  de A à Z . O que quer dizer que, dali quase ninguém sai ileso.

Todos os personagens  (tanto os principais, quanto os secundários...) são claramente  descritos – física,  psicológica e emocionalmente. Além disso, suas personalidades,  seus defeitos,  suas maluquices, hipocrisias e idiossincrasias são abertamente declarados.

 

Faz quase vinte anos que moro fora do Brasil,   e como disse acima,  mais de dez,  desde que o “Copadrama” foi lançado.  Desde então,  o ‘politicamente correto’  se infiltrou de tal forma na sociedade brasileira,  ao ponto de hoje em dia tornar-se inadmissível, (por ser considerado “preconceituoso”),   o uso de palavras tais como   “mulato”  “pobre” , “gordo” , “baixo”  “solteirona” , “cabeça chata”  , “riponga” , “velha” etc.

 

Chega a ser meio ridículo, além de bastante hipócrita, em uma sociedade tão miscigenada ( e que se diz tão orgulhosa de sua própria miscigenação)  como a brasileira,  não se poder mais dizer que alguém é  “caboclo”, “cafuzo”,  “mulato” ou “pardo”. Pelo  visto, agora só podemos dizer que alguém é branco ou negro.  E nissei ? ( mistura de brasileiro e japonês)?  Ainda pode?

 

Eu fico aqui imaginando uma pessoa que tenha de fazer um retrato falado em uma delegacia no Brasil...

Suponho que em 2020,   durante a sua entrevista com o retratista,  ela ainda possa descrever o “elemento” como sendo :   “ alto, loiro, atlético e de olhos azuis...” . Porém,  é certo que não poderá descrevê-lo como sendo  “baixo, gordo e mulato”, porque isto certamente seria considerado politicamente incorreto, para dizer o mínimo.  Aliás, é  bem possível neste caso que o próprio entrevistado acabasse em cana! – acusado de “racismo e preconceito”.

 

Imagino que para se garantir,  ele/ela teria que dizer algo como:

 

-O sujeito ( será que posso dizer isso??)  que eu vi  não era branco, nem negro.  Também não era alto.  Nem magro...    

 *Levantar de olhos, seguido de um longo suspiro*

 

Mas então,  voltando ao “politicamente correto”  e em defesa do “Copadrama”...

Gente,  este livro é  uma SÁTIRA. O que  inclui, sim,  vários estereótipos e várias declarações/diálogos politicamente incorretos. Em suma: várias cenas, descrições e situações totalmente  absurdas!

Os exemplos são múltiplos e estão em todas as  páginas:  a psiquiatra maluca,  a solteirona frustrada e falsa religiosa, o nordestino de cabeça chata, o alemão nazista, a riponga maconheira, o filhinho de papai, a velha hipocondríaca, o Don Juan egoísta e inconsequente,   o puritanismo do mineiro,  a sexualidade exacerbada do carioca...  Isto é o “Copadrama”.  Get over it!

 

Se eu, a autora Isabela Pamelli Martins ,  fosse uma das personagens de meu próprio  livro,  eis como eu me descreveria:

“Uma mulher de meia-idade,  porém  ainda relativamente atraente.  De estatura mediana (para  padrões brasileiros)  ou de  estatura baixa (para padrões americanos ou norte-europeus...).  De corpo malhado,   embora  com o peso um pouco acima do ideal devido ao hipotiroidismo e a pós-menopausa. Morena de pele,  de cabelos castanhos, fartos  e ligeiramente ondulados. Com o rosto redondo, de maçãs realçadas, que  lhe dão  um aspecto meio exótico.  O nariz,  grande e pontudo , nada delicado,  denota uma personalidade forte e determinada.  Finalmente, seus olhos castanho-escuros e amendoados, carregam em seu olhar uma certa expressão irônica e perspicaz; aquele olhar de “fino observador”, que percebe muito, mas pouco deixa transparecer...”

 

E então?  Ofendi alguém que tem as mesmas características? ( Pele morena, cabelo ondulado, nariz grande, hipotiroidismo...)

Pleeeeeeeeeeeeeeeease.....!

Isto nada mais é do que uma descrição – pura e simplesmente.  E, em um livro, o autor (pelo menos a maioria deles) DESCREVE coisas, pessoas, lugares e sentimentos ( Nem todos eles belos, nobres e inspiradores, diga-se de passagem...)

 

E a propósito gente:  meu teste de DNA deu que sou 81% “Europeia” ( A maior parte da Península Ibérica- Espanha /Portugal),  8% índio,  6% africana,  5% árabe.

Ou seja: um verdadeiro mosaico humano ,  com um pedacinho de (quase)  cada canto do mundo.  Somente de “oriental”  (ainda posso dizer isto?) é que , aparentemente,  não tenho nada.

 

É isso.

E agora,  quem  quiser se sentir ofendido e indignado,  favor entrar na fila e tirar a senha.  Depois pegue um cafezinho,  sente-se e fique a vontade.  

 

Isabela Pamelli Martins

Autora de "Copadrama- Uma Tragicomédia Brasileira"

Disponível pela Amazon ( em inglês e português), em Kindle/e-book e livro impresso.

60060114_1976937542412569_1753243291320582144_o.jp

 

 

Comentar:

Mais

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Este blog tem comentários moderados.