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Parada Essencial

Benvindos ao "Diário politicamente incorreto da Pâmelli" - uma brasileira/americana childfree, residente nos E.U.A. desde 2003 Viagens, cultura, desabafos e muito mais!

Parada Essencial

Benvindos ao "Diário politicamente incorreto da Pâmelli" - uma brasileira/americana childfree, residente nos E.U.A. desde 2003 Viagens, cultura, desabafos e muito mais!

Diário de Bordo - St. Lucia & Barbados

Pâmelli, 11.01.12

As duas ilhas seguintes em nosso roteiro foram St. Lucia e Barbados.

St. Lucia:

Alí atracamos na capital,  Castries – uma cidade de cerca de 66 mil habitantes e que,  pra dizer a verdade,  não me impressionou muito.

Primeiro,  a praia que resolvemos ir  não era lá grande coisa.  ( Ou talvez naquele dia especificamente, as águas estivessem maio turvas e amarronzadas).    Meu guia ( o Eye-Witness,  no Brasil conhecido como o Guia da Folha de São Paulo )  , que normalmente dá dicas excelentes,  nos falou de duas praias relativamente próximas da cidade – uma a cerca de 5 km e a outra a mais ou menos uns  20.   Como andar de van  nestas ilhas de estradinhas tortuosas e com os motoristas dirigindo do 'jeitinho brasileiro' não é das coisas mais agradáveis,  resolvemos ir para a mais próxima . No final  das contas talvez tivesse valido a pena ter aguentado um pouco mais a experiência desagradável  na estrada e aproveitado uma praia melhor!

A verdade é que  a praia onde descemos, Choc Beach,     está longe de ser um paraíso .  Inclusive só tem uma construção  meio decadente -  um restaurante  mal cuidado e cujo dono, um inglês,  me pareceu  bastante antipático.  Como vêem,  péssima pedida.     Para se ter uma ideia,  a coisa mais interessante que registrei por lá foi isso:   um cotoco de árvore no meio da praia , em forma de animal.

 

Caminhamos um pouco pela praia mas não nadamos.   Então seguimos novamente  para a cidade de Castries  e mais uma vez nos decepcionamos.  Fomos ao tal  Mercado Local e achamos o local sujo, tumultuado e mal frequentado.   Inclusive um garoto de rua esbarrou em mim fingindo estar correndo e brincando com outro – obviamente de olho na minha bolsa. Ora, quem já esteve no Rio como turista, sabe do que  estou falando -  até porque nestas ilhas caribenhas você não precisa ser branco, nem loiro de olhos azuis pra se destacar como gringo. Thanks, mas este tipo de déjà vu eu dispenso.

 

Enfim,  compramos alguns souvenirs e saímos logo dali, caminhando de volta  para o navio e sem uma impressão muito positiva do lugar.   Pena, pois tenho certeza que devem ter outros pontos - tanto de praias boas quanto de outras  cidades na ilha -  que realmente vale a pena visitar.

No percurso de volta  ,  passamos por um pequeno cais de pescadores    -  coisa bonitinha e colorida de longe , parecendo até um quadro impressionista ,  mas horrível ( sujo e mal frequentado!) de perto!    Meu marido ainda quis dar uma olhada nos peixes por ali , mas eu fugi ( literalmente) correndo em direção ao porto, onde o nosso Amsterdam estava atracado. Sim,  eu confesso:  Sou uma carioca traumatizada.

  

Por fim, e pra não dizer que não achei nada de bom em Castries,  tem o prédio da Alliance Française.   Interessante construção,  não acham?

   

Curiosidade histórica :  a ilha de St. Lucia foi disputada entre os franceses e os ingleses durante muitos anos  e trocou de mãos entre eles 14 vezes!  – no final das contas ficando com os ingleses.  O resultado é que vários nomes de cidades e praias  pela ilha ainda são em francês.

 

Barbados:

Ah, ali sim!! {#emotions_dlg.smile}   A ilha foi colonizada pelos ingleses e a capital , Bridgetown , é  uma cidade beirando os 100  mil habitantes.

Ao desembarcarmos lá, pegamos uma das vans e seguimos para a praia de Mullins Beach   ,  cerca de meia hora da cidade.  E que praia!!!  Linda,  limpíssima e de um azul turquesa do jeito que  até hoje eu só vi  no Mediterrâneo.  Alí há um bom restaurante   e o lugar é bem animado,  cheio de turistas.

 

Depois da praia aproveitamos para explorar um pouco a capital  , mas como era dia 1 de janeiro,  estava tudo fechado e o lugar mais parecia uma cidade fantasma.  Ainda assim,  passeamos pela charmosa  marina  ( cheia de belas embarcações) e conhecemos o centrinho turístico e a  National Heroes Square ,  a praça onde , assim como a Trafalgar Square in Londres, o ingleses não resistiram e  puseram  mais uma estátua do Comandante Nelson ( que venceu  Napoleão na famosa Batalha de Tragalgar, em 1805).

Outra coisa interessante que vimos em Bridgetown foi o prédio do  Parlamento deles, fundado em 1639 e o terceiro mais antigo no mundo  de língua inglesa. ( Infelizmente não tirei foto deste e apenas registrei na minha camcorder...)

 

Mas nossa experiência mais memorável em Barbados foi mesmo a da praia. {#emotions_dlg.smile}  Ali,  pela primeira vez desde que eu cheguei no Caribe , eu  nadei em  uma praia ainda mais perfeita do que as que eu havia conhecido na Grécia !  ( E que eu acreditava , até então,  ser o lugar das praias mais lindas do mundo). 

 

Meu souvenir da ilha de  Barbados?  Um vestidinho florido em azul turquesa ,  a cor do magnífico mar do Caribe.

 

 

Diário de Bordo: a primeira ilha

Pâmelli, 10.01.12

Categoria de post:  viagem, diário

 

Nosso cruzeiro incluiu algumas das mais belas e interessantes ilhas do Caribe,  entre elas:  Saint Maarten,  Saint Lucia, Barbados, Martinica,  Saint Thomas e Half Moon Cay,  nas Bahamas.

Nosso navio era o  ‘Amsterdam’ , da companhia  Holland America -aliás,  excelente.

De todos os cruzeiros que fizemos até hoje -  no Costa ( italiano) pelo Mediterrâneo,  e no Carnival (americano)  no Golfo do México -  esta companhia holandesa é de longe a melhor.   Pra começar,  o navio tem a metade do número de passageiros dos outros ( apenas 1380),  o que significa que a ‘galera’  a bordo é bem mais seletiva.  Nada daquelas mega famílias (usando tamanho GGG…)   dos navios Carnival, com o povo se acotovelando desesperadamente envolta do buffet!  Ok,   você  paga um pouco mais,  mas viaja com gente de outro nível e em cabines ( mesmo as mais simples) muito maiores e confortáveis.   Não há tumulto nem povaréu em nenhum local do navio.   ( Sossego bendito no terceiro deck - o dos botes salva-vidas...{#emotions_dlg.smile})  Há ambientes para todas as faixas etárias, mas nenhuma área específica para crianças – o que deve explicar o fato de terem pouquíssimas delas  a bordo.  Já o pessoal  jovem ( na faixa dos vinte anos), fica  principalmente  no andar de cima, onde há uma discoteca.  Quer dizer, melhor  do que isso, só mesmo o ‘Chilfree Jazz Cruise’ , LOL  -  que  , ao que  parece, tambem faz cruzeiros pela região do Caribe , saindo de Miami.  (Fiquei sabendo disso em um dos  childfree sites que costumo frequentar e taí  uma coisa que definitivamente deve ser investigada!! )

Finalmente,  a tripulação era 99%  indonésia  e muito gentil e prestativa.

 

Mas,  falemos sobre as ilhas caribenhas...

Nossa primeira parada  foi em St. Maaten – ou Saint Martin -  dependendo de que lado da ilha você esteja , o holandês ou o francês. 

Pois é,  a ilha foi colonizada tanto pelos holandeses quanto os franceses e no final das contas acabou sendo igualmente dividida!  ( Bem que eles  tentaram fazer o mesmo  no nordeste brasileiro, mais ou menos pela mesma época, os 1600’s…)  

A capital do lado francês é a charmosa Marigot ,  onde naturalmente a língua é o francês e o ambiente  é o de  uma ‘França com pitada  caribenha’.  Alí sentamos em um café para tomar sorvete e depois seguimos para uma boulangerie , onde meu marido sempre tem de comer uma  ‘baguete verdadeira,  do jeito que só francês sabe fazer’ . {#emotions_dlg.tongue}

Ainda no lado  francês da ilha  fomos até a praia de Orient Beach ( Baie Orientale)  , de mar muito azul mas com  ventos fortes.  É  ideal para quem gosta de praticar o windsurf  ( ali tem equipamento para alugar), mas não para quem gosta de nadar em praia sem vento e sem ondas.

Depois seguimos para o lado holandês ( onde nosso navio havia atracado) e conhecemos a capital , Phillipsburg.  Tudo muito colorido,  cheio de barraquinhas de souvenirs e, alí sim,   uma boa praia para se nadar -  a Great Bay Beach. 

 

Marigot ( a capital francesa) é claro,  fez mais a minha cabeça.   Contudo,  Phillipsburg ( a holandesa)  nos pareceu mais limpa e  um pouco mais  desenvolvida. 

Minhas impressões:   embora a topografia lembre muito o Brasil ( afinal o Caribe já está nos trópicos) , os morros alí ainda estão com 99%  de sua vegetação nativa preservada  e detalhe:  não há uma única favela a vista ;  apenas umas poucas e boas casas nas encostas.

As estradas entre as cidades não são  limpíssimas como nos E.U.  , mas são  MAIS  limpas do que nos balneários brasileiros e nunca chegamos a ver lixo amontoado ao lado delas.  

Conclusão:  O Caribe,  entre as ex-colônias européias nas Américas,   é uma espécie de ‘Segundo Mundo’ –   uma ponte entre o Terceiro ( incluindo o Brasil)  e o Mundo Desenvolvido.

 

Então fica a pergunta:  Será que Calabar não  tinha razão em preferir que o Brasil fosse colonizado pelos holandeses?

Segundo o autor Romeu de Avelar,  em seu livro ‘Calabar’ (  primeira edição de 1938 e a última  em 1973 - hoje infelizmente  indisponível no mercado literário…), o valente cabo de guerra brasileiro bem que sabia o que estava fazendo quando se voltou para o lado dos holandeses…

Diário de Bordo- Primeira Parada: Miami

Pâmelli, 09.01.12

Categoria de post:  turismo, diário

 

Pois é.   Tenho andada sumida do blog  nestas férias, mas foi  por um BOM motivo:  estávamos no Triângulo das Bermudas!! Lol

Mas, como podem ver,  sobrevivemos e  voltamos. {#emotions_dlg.smile}

 

Tenho muito o que contar sobre nossa viagem  a bordo do transatlântico Holland America e o cruzeiro que fizemos,  acompanhados de minha mãe e minha tia ( que moram no Rio) ,  ao longo de algumas das mais belas ilhas do Caribe.

Decidi que farei isso em uma série de  ‘diários de bordo’ ,  já que cada lugar por onde passamos realmente  merece um post somente para si. E sim,  é claro que eu registrei cada momento com minha velha e boa camera!

 

Miami: 

Nossa saída se deu de Fort Lauderdale,  Flórida.  

Contudo,  primeiro passamos duas noites em Miami,  onde minha tia  veio nos encontrar para embarcarmos no cruzeiro.( Minha mãe já estava conosco no Texas,  desde o começo de dezembro ).

 

Não sou nenhuma expert em Miami ( só estive lá umas poucas vezes,  sempre por um ou dois dias…), mas desta vez acho que pude ter uma ideia mais clara de que tipo de cidade realmente  é. 

Eu sempre disse que considerava  o estado da  Flórida  ‘ o Rio de Janeiro que deu certo’   e Miami  ‘ a Barra da Tijuca do Primeiro Mundo’  e esta visita apenas serviu para confirmar isso.

A cidade é  realmente muito bonita e lembra muito o Rio da Zona Sul -  especialmente a Praia de Ipanema e Barra.   Na verdade eu diria que Miami toda  lembra a Vieira Souto,  com seus belos prédios de luxo,  salpicados de varandas.  Tudo moderno,  colorido e alegre. 

O South Beach é a mais pura animação , com bares, cafés, restaurantes e turistas do mundo todo passando de um lado pro outro  a toda hora.  É a orla do Rio em plena noite de Réveillon!   A diferença fica por conta da limpeza das ruas,  a falta de  mendigos dormindo pelas calçadas,  a total ausência de  favelas nos morros  (alias, alí a topografia é totalmente plana!) ou pivetes te abordando nas ruas.  Em suma:  ali você anda tranquila,  usa suas jóias sem qualquer  receio ou complexo  de culpa ,  passeia  em carros abertos e para nos sinais sem olhar receosa  para os lados,  com o batimento cardiaco abaixo dos 120.

Mas nem tudo são flores em Miami.   Os motoristas alí estão LONGE de ter a  civilidade , a  educação e o  respeito  no trânsito ( tanto pelos pedestres quanto pelos outros motoristas…) que se vê nas outras cidades da América  ( afinal  a cidade é  cheia  de cubanos  e,  vamos combinar,  brasileiros!!) .  Mas,  se você mora e dirige no Brasil,  vai achá-los “normais”  e não mais agressivos e impacientes do que os cariocas ou paulistas – afinal tudo é relativo. 

Contudo,  a coisa  mais ‘ estranha’  e que me chamou a  atenção  em Miami,   é que alí simplesmente não há AMERICANOS!! Para onde você  se vira,  ouve  turistas e famílias falando todas as línguas do mundo , menos inglês.  (Ou quando ouve alguém  falando inglês,  é com um forte sotaque latino -americano). 

 

Pois é.  Pelo visto os americanos  não são lá muito fã da ‘Barra ‘ ou da ‘Cuba’ do Primeiro Mundo ,  e eu até entendo por que:   Miami é uma cidade bastante ‘show off’  ( Olha gente,  estou aqui,  ó !!!),  demasiada intensa  e  latino-americanizada para o gosto do americano médio. 

No entanto,  para quem mora no Brasil ,  Miami deve ser  mesmo uma espécie de 'paraíso' pois afinal tem todas as qualidade do Rio (a  alegria , belas praias,  sensualidade, shoppings, a cultura do corpo  e da praia etc.) ,  sem os seus piores problemas e mazelas.  Isso sem falar nas compras que , como no resto dos E.U. , TUDO é muito  mais barato do que no Brasil!!  Então,  No wonder que tantos brasileiros ( endinheirados ou simplesmente remediados) viagem  todo ano enlouquecidos para  lá  - muitos inclusive , com um one-way-ticket.

 

Anyway, no dia 26 de dezembro seguimos para Fort Lauderdale,  de onde nosso navio  partiu para um cruzeiro de dez dias pelo Caribe. 

Nos próximos posts,  escreverei mais sobre os lugares por onde passamos  e o que vimos de interessante por lá.   É aguardar.

 

 Alguns prédios em South Beach.  Vai dizer que não lembra a Barra ?

 

Falta de bom senso é F! - Parte Um

Pâmelli, 16.07.09

 

A medida que ficamos mais velhos ficamos mais tolerantes -  pelo menos  no que diz respeito a  idiotice  alheia...

Me lembro que quando era mais jovem e ouvia uma coisa idiota, ou com a qual  discordava em gênero, número e grau,  eu tentava argumentar com a pessoa.  Lhe mostrar o meu ponto de vista. Contudo, com o passar dos anos fui perdendo esse hábito.

Hoje em dia,  quando ouço uma opinião muito diferente da minha sobre determinado assunto,  que se trate de simples filosofia de vida  ou apenas  uma  visão completamente distorcida da realidade,  desprovida da mais básica falta de bom senso ou inteligência prática...,9 times out of 10,  eu me calo.  Afinal ,de que adianta?   Você não  vai conseguir convencer o outro mesmo ,e como diz meu marido:   'You can't  'reason' someone out of a position they did not reason themselves into...' 

Mas as vezes é impossível ficar calada.  Às vezes simplesmente não dá! 

 

Recentemente  passei por duas situações deste  tipo. 

A idéia ou opinião exposta me pareceu tão absurda,  tão estúpida e desprovida do mais óbvio bom senso , que foi com dificuldade que consegui conter minha irritação  e  esconder o  meu mais puro desprezo.

 

O primeiro caso teve a ver com 'o passaporte brasileiro' - um tópico que,  quem me conhece um pouco e já andou lendo o 'Parada' há algum tempo,  sabe que é algo sobre o qual  "I 've always felt  very strongly about !"

 

A seguir o primeiro caso:

 

Estávamos no carro,  eu e minha prima,  seguindo para o Museu do Texas,  quando ela mencionou que seu filho havia recentemente adquirido  a cidadania americana.  ( Na verdade , fiquei surpresa que ele tivesse esperado tanto  tempo , uma vez  que mora na América há 12 anos, e  já é possível se naturalizar após 5 anos de residência legal , ou 3 de casamento com cidadão americano...)

 

-Que ótimo . -  respondi.  - É bom mesmo ter os dois passaportes.  Eu me naturalizei o ano passado e agora tambem tenho os dois, o brasileiro e o americano.

 

-Pois é - respondeu ela.  -  O  ( seu filho)  diz que é bom usar  o passaporte americano para viajar para o Brasil , e o  brasileiro quando se vai  à Europa...

 

Uhhh??   Será que eu ouvi direito?

 

Então ela continuou :

 

- Ele diz que agora quando viajarem ao Brasil , com os filhos americanos,  se tiverem algum problema lá, poderão  pedir ajuda ao FBI e acionar o governo americano...

 

WTF??! 

 

Ou seja:  De agora em diante ,  quando voltar ao Brasil de férias com a família,  meu primo vai precisar  tirar um VISTO  ( que custa no mínimo $140 dólares) e ao desembarcar no aeroporto, entrar na fila dos estrangeiros ( que é 100 vezes maior do que a dos brasileiros !) , além de correr o risco de  ser interrogado ( e  talvez até 'empentelhado' por algum funcionáriozinho da imigração implicado  com gringos...) .  Tudo  porque,  ''Quem sabe, se tiver os filhos sequestrados ou algum outro tipo de problema  (  'Muito provável'  -  Afinal ele é sócio do Eike Batista ...* levantar de olhos ) , poderá acionar o FBI! '

Can you believe THAT ?

 

Então, para completar o meu assombro , minha prima continuou assim:

 

- Já para ir à Europa  ele usará o passaporte brasileiro porque diz que lá eles não gostam de americanos e os tratam mal...

 

Eu só não caí da cadeira porque estávamos  dentro do carro.   Se estivesse chovendo , com certeza,  teria provocado  uma derrapagem! 

 

Enfim, diante  de tão assombrosa  demonstração de  'bom senso e informação global...',   eu me vi obrigada a dizer algo.  ( Felizmente , como estava conduzindo,  mantive o olhar  para a frente e desta forma não precisei disfarçar minha expressão que ,naquele momento,  não era nem um pouco  de empatia ...) 

 

Por fim , depois de respirar fundo, respondi:

 

- Na verdade,  creio que o oposto faz bem mais sentido.  Eu ,  ao contrário ,  viajo para o Brasil com o passaporte brasileiro ( a fim de não precisar de visto e evitar a fila da imigração)  e para a Europa com o americano.  

De fato, muitos europeus não gostam de americanos,   mas é certo  que muitos tambem detestam brasileiros e no final das contas o que importa realmente  é passar  sem problemas pela imigração nos aeroportos.  Uma vez dentro do país,  haverá sempre gente que simpatiza com a sua nacionalidade e outros que não , mas que importa!  São apenas cidadãos sem nenhum poder de bloquear sua entrada no país.  Além do mais, sempre haverá povos e cidades mais simpáticos do que outros. 

 Ao menos lá fora ,  o passaporte americano é respeitado  e até o dia de hoje,  que eu saiba,  nenhum turista  americano  viajando à  Espanha, Portugal, França, Inglaterra e Irlanda ( para  citar apenas alguns lugares ...)  foi  humilhado por agentes da imigração,  preso e por fim  deportado , ' sob suspeita de se tratar de um possível futuro  imigrante ilegal...' 

 

Após meu pequeno 'desabafo'  irreprimível , minha prima  apenas ficou em silêncio.   Era evidente que ela continuou achando que a idéia do próprio filho sobre este assundo , com certeza,  fazia mais sentido do que a minha.

 

Mas por que eu fiquei surpresa?

Meu primo já passou dos 40,  é recém -separado,  já com  3 fillhos adolescentes do primeiro casamento e após um namoro de poucos meses, vai e engravida a namorada  - de gêmeos, ainda por cima!  (  Se bem que sobre este 'detalhe' , suponho que ele não tivesse  poder...) .  Nota:  a moça já tinha uma filha pequena de seu  primeiro casamento.

 

Está certo que ele  tem um bom emprego ,  mas até quando?? Do jeito que as coisas andam...

5 filhos.  Cinco faculdades para pagar nos próximos 20 anos... - haja cabelos brancos ! ( Nos E.U. não existe faculdade pública , quer dizer DE GRAÇA,   e a menos que seu filho seja um gênio e consiga uma bolsa em uma das grandes universidades,  são pelo menos $7.000 dólares de mensalidade  por ano, sem contar livros e moradia!

 

Enfim,  fim do primeiro episódio.

O segundo fica pra próxima...

 

 

 

  

If you dream enough...- O sonho de cada um

Pâmelli, 06.11.08

 

 

 

Ah,  finalmente o Azulzinho!

Chegou pelo correio e foi mais rápido do que eu esperava.

Agora sim, quando voltar a viajar para o exterior ( tirando o Brasil,  é claro...)  estarei devidamente 'protegida'    - digo,  equipada.

 

Modéstia à parte,  o Azulzinho é muito lindo :-) .  ( Mas eu reconheço  que sou parcial...)

 Cada página tem um desenho de algo bem 'nacional ' -  tipo:  uma águia,  Mt. Rushmore - o famoso monumento  nas rochas do South Dakota  com os rostos dos presidentes ,  os búfalos - que foram tão imporantes para a sobrevivência dos índios americanos ,os cowboys, um  barco típico  do Mississipi,  a Estátua da Liberdade...

 

No alto de cada página  há uma frase de algum americano famoso  ( George Washington, Kennedy, Martin Luther King Jr...) e naquela  com o  desenho de uma das caravelas dos pilgrims  ( os pelegrinos)  chegando à América  ,  uma das frases mais famosas da Declaração de Independência dos E.U. :

" We hold these truths to be self-evident:  that all men are created equal , that they are endowed by their Creator with certain unalienable rights, that among these are life, liberty and the pursuit of happines..."

 Mas o melhor de tudo  é a nota que aparece ( em letras bem legíveis  e claras)  na primeira página do passaporte  

Diz o seguinte:     

  "The Secretary of State of the United States of America hereby requests all whom it may concern to permit the citizen/national of the United States named herein to pass without delay or hindrance and in case of need to give all lawful need and protection.  "

( O Secretário de Estado dos Estados Unidos da América pela presente solicita às autoridades competentes permitir a passagem do cidadão/nacional dos Estados Unidos, portador deste passaporte,  sem demoras ou dificuldades e em caso de necessidade prestar-lhe toda a assistência e proteção legítima)

Nota:  No 'verdinho' ( o passaporte brasileiro) a notinha é  em letra mínima (  o carinha precisa de uma lupa de Sherlock Holmes  pra enxergar ! ) e  só diz o seguinte:

"Roga-se às autoridades estrangeiras que prestem ao titular deste passaporte auxílio e assistência em caso de necessidade"

 

Agora será que alguem tem alguma dúvida ,  em caso de um dia eu me encontrar em algum tipo de dificuldade no exterior, ( 'Knock, knock, knock !! Isola!)    para qual dos dois consulados (  o do 'verdinho ou o do 'azulzinho' ) eu vou ligar pedindo  auxílio e proteção ??

Só pra lembrar:  os brasileiros que se viram presos  e humilhados no aeroporto de Madri  este ano sob a falsa acusação de estarem tentando 'imigrar ilegalmente para a  Europa...'  , disseram que ao ligarem para o número de 'Emergência'  do Consulado do Brasil naquele país,  não havia ninguem para atender à linha - apenas uma gravação eletrônica dizendo :'Tecle um para...Tecle dois para...Tecle três...' e por aí em diante.  

E não,  não é piada...

 

 

Certa vez alguem me disse que o ator  Anthony Hopkins ( hoje consagrado mundialmente e já tendo recebido o Oscar. entre milhares de outros prêmios do cinema ..)   afirmou que quando era jovem e estava no começo de sua carreira , seu sonho era um dia  seguir para  tentar a sorte em Hollywood -  algo  que na época lhe  parecia uma coisa TÃO  longe de sua realidade ,  quase impossível de se realizar!  

Mas ele sonhava, se empenhava na profissão e ...Sonhava !   Nunca desistiu de sonhar.

 Até que finalmente  um dia conseguiu realizar o seu sonho. 

 

As pessoas têm sonhos muito diferentes umas das outras.

Uma pode sonhar com um carro zero,  outra com um marido rico,  outra com uma promoção no trabalho,  outra com um determinado trabalho... Alguem pode sonhar em ter o último tipo de smart phone, em comprar um carro esporte ,  em publicar um livro, em um dia conhecer Paris ou se casar com uma modelo checa.

O sonho de um pode não ter o menor significado ou  fazer  o menor sentido para o outro.  Algumas pessoas podem até achá-lo absurdo ou ridículo.  Mas somente a própria pessoa  sabe da importãncia e  o que a realização do seu sonho significa para ela!

 

Eu sempre gostei de viajar.  Sempre viajei quando pude.  E sempre sonhei em um dia ter um passaporte 'decente' ; um  que me permitisse correr o mundo sem  o risco de volta e meia  ser abordada por um agente de imigração que , porque nasceu em um país dito 'de Primeiro Mundo' ,  se acha no direito de me tratar como cidadã de 'terceira categoria' pura e simplesmente por causa do país onde nasci !  

 Oh, eu nunca cheguei a ser presa ou propriamente humilhada em nenhum aeroporto internacional,  mas  sei que muitos brasileiros passam por isso diariamente - com ou sem razões legítimas para tal.  

 

Muitos dirão que o 'mundo'  prefere e simpatiza mais com os brasileiros do que com os americanos.

Eu digo que o mundo RESPEITA e TEME mais os americanos do que os brasileiros , e  no final das contas é isto o me interessa. 

Pessoalmente , não faço a menor questão que simpatizem comigo.  O que eu quero é simplesmente que me tratem com o devido respeito, e para este fim  o 'azulzinho' é , indubitavelmente,   o passaporte certo para mim.

 

Você  aí -  seja qual fôr o seu sonho , nunca desista dele. 

When you dream enough,  your dream may eventually come true...:-) 

 

 

 

 

 

 

Praia , no Texas???

Pâmelli, 27.05.08

Não sei se é com todo o mundo que viveu a maior parte de sua vida na beira do mar,  mas eu simplesmente TENHO que dar , nem que seja somente 'um pulo de alguns dias...'  na costa, algumas vezes por ano!  

Três meses.  Eis o máximo absoluto que eu posso passar longe do mar;  sem sentir o cheiro de maresia;  a água salgada e  o iodo na pele;  a areia sob meus pés... É isso ou começo  logo a ficar   mal -humorada e implicando com tudo e todos ao meu redor;  desanimada,  sentindo-me  com o aspecto doentio ...Enfim,  triste.

 

A cidade onde moramos na América é agradável,  bastante civilizada,  tem o ar limpo e sem poluição,  bons restaurantes, shoppings e até mesmo uma ópera e balé.  As pessoas são geralmente muito gentis pois não são nada estressadas.  Há trabalho para todos.  Espaço para todos.  Nada de  sentimentos nacionalistas exacerbados ou xenofobia.

  O povo  pode não ser  sofisticado ou  chique aqui ,  mas é feliz e bem resolvido.     Os estrangeiros sentem-se benvindos.   As crianças são respeitosas , não falam alto nem gritam com os pais.  Temos cerca de 300 dias de sol por ano.  Um inverno agradável.  Segurança e pouquíssima violência.  Só falta  realmente a  PRAIA  !!   :-) Mas pelo menos o nosso estado ( o Texas)  tem uma costa e , na pior das hipóteses , podemos dirijir até lá em pouco mais de 3 horas.Ufa!  Que alívio.

 Como voltar ao Brasil  para nós só é opção uma vez por ano e vôos domésticos não são exatamente  'a  minha praia...'  :-)),  - nas viagens  internacionais pelo menos há alguma distração ( filmes, refeições, duty free etc..)  ,  o jeito é dar uma escapulida de vez em quando até a praia mais próxima,  nem que seja para um curto final de semana.

 Ah, e como é bom!  Mesmo que não se trate da Flórida , com suas areias branquíssimas e água límpida,  cor de esmeralda...Mesmo que não seja Búzios,  na Costa do Sol  brasileira - com suas enseadas maravilhosas,  os quiosques servindo água de côco gelada ,  caipirinha e bolinhos de bacalhao; Os passeios de escuna ...

 

Tudo bem ,  o Texas não é famoso por suas praias.  A água do Golfo do México não é lá essas coisas ,  sendo  geralmente de um cinza amarronzado e com  a areia escura.

Mas depois de meses enfurnada no interior de um  estado gigante (  'maior do que a França...' , como o pessoal local adora afirmar...:-))  -   que maravilha poder novamente pôr os pés  na  areia e respirar o ar marinho!! 

 

A maioria dos texanos,  quando resolve dirigir até a costa e aproveitar a praia mais próxima costuma seguir para as cidades de  South Padre ou Port Aransas,  no sul do estado , já quase na fronteira com o México.  A praia lembra muito a de Galveston , mas as cidades são bem diferentes e , na minha opinião, bem menos interessantes.

Sim,  Galveston que até alguns anos atrás era considerada decadente, feia e com uma das piores praias no Golfo do México surpreende muita gente hoje em dia.

 

A verdade é que  a ilha  hoje conseguiu recuperar boa parte do seu antigo glamour.

A cidade teve todo o seu centro histórico ,  da época  'vitoriana'  ou século 19 ,   restaurado.  ( No mês de dezembro existe até mesmo o 'Dickens Festival' ,  em homenagem ao escritor inglês da mesma época  , que atrai milhares de turistas !!  ) 

 Seus prédios públicos são imponentes.  Suas casas,  (algumas delas verdadeiras mansões!)  , charmosas construções em estilo 'bayou' -  a arquitetura típica da vizinha Louisiana e mais comumente associada à cidade de Nova Orleans.  Existe o Museu Marítimo,  o Museu do Trem,  o Museu da Plataforma ( uma antiga  plataforma de exploração de petróleo que hoje abriga o Ocean Star Museum...).

A cozinha local tambem é muito boa  ,  em especial os frutos do mar.  O 'Gaidos' é o melhor   restaurante do gênero  e  data de 1911,  a mesma época do Hotel Galvez  ( o mais antigo e classudo da cidade, lembrando uma mistura de Velho Mundo e 'Belle Époque' , além de possuir  um restaurante impecável servindo o brunch de domingo mais famoso da cidade...).  Os peixes locais  ( salmon, grouper, red snapper...)  são especialmente bons preparados a maneira 'blackened' ,   grelhados em um  molho escuro e picante,  no estilo 'cajun' da Louisiana....  Afinal Nova Orleans fica a pouco mais de 5 horas de Galveston!

 

Em 1900 houve um dos piores desastres naturais dos E.U.  Um furacão monstro que praticamente destruiu  toda a cidade .  Desde então ela foi inteiramente reconstruída  e como prevenção contra futuras tempestades e inundações ,  construíram 'a grande murada' ( o Seawall) ,  de cerca de 4 metros de altura ,  todo ao longo da praia  principal.   Aliás,  hoje o Seawall Boulevard  é a avenida beira-mar de Galveston e é lá que ficam os principais restaurantes e hotéis na  ilha.   Seu  calçadão é largo e longuíssimo , seguindo  por 89 ruas!! 

 O lugar é ótimo  para se andar de bicicleta,  patins ou simplesmente caminhar.

 

No centro histórico da cidade , chamado de Strand,   há ainda vários antiquários e um cinema que mostra um documentário sobre o 'Great Storm'  ( o  mega furacão de 1900)  e o pirata mais famoso da região e um dos primeiros a se instalar na ilha de Galveston em 1817:  Jean Laffite.

Sua estória é tão fascinante quanto  sua personalidade era cativante.

 

Sei que um dia voltarei a morar na beira do mar. Inclusive  no futuro  pretendemos morar parte do ano no Brasil - provavelmente na Costa do Sol. 

Porém, enquanto este dia não chega,  sempre que pudermos  daremos uma escapadela  até Galveston. 

O corpo e a mente  agradecem.

 

 E agora,   algumas fotos -  não dos cowboys, das fazendas e dos cavalos do Texas,  mas  da ilha e cidade de Galveston!

   Praça no Centro Histórico de Galveston

 

   Belas casas em Galveston  , no estilo 'bayou' da vizinha  Louisiana...

 

 

 

  Centro Histórico ( Victorian Galveston) . Passeios à la Charles Dickens...

 

Longo calçadão para se caminhar , andar de bicicleta ou patins na avenida beira-mar

  Os barcos pesqueiros de Galveston.  Peixes frescos nos restaurantes locais ...

 

 Pelicanos descansando e tomando sol  sobre a pedra  (  próximos ao Museu da Plataforma Ocean Star)

  Museu da Plataforma em Galveston  ( situado em uma antiga plataforma ). Videos , maquetes, robôs de ROV, baleeiras e tudo o mais sobre a estória da exploração de petróleo no Texas e no mundo.

 

  O elegante Hotel Galvez, de 1911.  (  Classe e tradição no  melhor brunch de domingo na cidade...)

  A murada ( o Seawall)  de cerca de 4 metros de altura construída   cerca de  1904,  ao longo da avenida beira-mar ( Seawall Boulevard) .  Proteção para a cidade contra futuros furacões e enchentes , desde a tragédia do 'Great Storm' de   1900...