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Parada Essencial

Benvindos ao "Diário politicamente incorreto da Pâmelli" - uma brasileira/americana childfree, residente nos E.U.A. desde 2003 Viagens, cultura, desabafos e muito mais!

Parada Essencial

Benvindos ao "Diário politicamente incorreto da Pâmelli" - uma brasileira/americana childfree, residente nos E.U.A. desde 2003 Viagens, cultura, desabafos e muito mais!

Como diria Sartre: O inferno são os Outros!

Pâmelli, 15.05.10

 

 Categoria de post:  desabafo childfree

 

Ok,  vejamos o que tenho de ‘novidades’  para colocar em meu blog-diário-parada,  repleto de ‘reflexões profundas’, algumas denúncias e , ultimamente,  principalmente ,  MUITOS  desabafos...

 

  Outro dia fui ao correio  enviar uma encomenda e a seguinte  cena  se passou:

 

Logo ao entrar ,  percebi , 1) que  havia uma fila considerável  e  2) que em meio às pessoas na fila e bem no meio do apertado ambiente , havia dois meninos na faixa dos seus 4 ou 5 anos,   CORRENDO livremente pelo aposento , além de  URRANDO e BATENDO  em qualquer objeto ‘mais sólido’  que se encontrasse no local ( ex. Os assentos de metal que ficam  contra a parede, o pequeno balcão central – usado para se escrever um endereço de última hora...-  até mesmo   na  PAREDE !).

A mãe,  quem quer que fosse, devia ser alguem na fila,  mas como não se manifestou em  minuto algum  tentando acalmar os pequenos estrupícios,  permaneceu convenientemente  incógnita.

 

A medida que os minutos se passavam e a fila se arrastava  como um caramujo,  minha cabeça começou a latejar. 

Foi então que me lembrei do ‘conselho’ de uma blogueira americana childfree , cujo blog ‘Happily Childfree’ eu não deixo de espiar sempre que posso...lol ,  que diz o seguinte:

  

‘E aos amigos e leitores deste blog,  aí vai uma dica :  Quando saírem às ruas,  seja para onde fôr,  mas principalmente se forem  ao shopping, ao supermercado, AO CORREIO ou qualquer outro lugar de atendimento público... Não se esqueçam de levar sempre na bolsa o seu i-pod ou tocador de C.D. portátil,  que você poderá ligar e colocar no VOLUME MÁXIMO  sempre que topar com um pai ou mãe dormente e sua prole, a tira-colo, chorando e esperneando incontrolavelmente.

Nota:  Isso tambem serve para se proteger das várias  conversas idiotas ou deprimentes de estranhos   ( geralmente via celular...) que somos obrigados a ouvir sempre que estamos em algum lugar público.’   

 

 Sábio conselho.  Mas infelizmente naquele dia eu estava sem o meu portable C.D. player. Humph.

 Então  o jeito foi ficar olhando fixo  para o painel acima do balcão dos funcionários,  tentando me ‘concentrar’,   decorando os preços das inúmeras  formas de envio de encomendas...

 

‘Priority Mail’ , X dólares ...  ‘ Certified Mail’  , XY  dólares...’ Return receipt’ XX dólares  etc..

 

Por fim chegou a vez da pessoa logo a minha frente.  Contudo, ao se dar conta que havia esquecido algo  , ela  virou-se para mim e disse:

 

-Pode ir em frente.  Tenho de pegar algo no carro...

 

Tanto melhor ! – pensei.

  

Então , ao me aproximar do  guichê,  a funcionária ( uma senhora já de idade que trabalha nesta agência há anos ...), com a expressão visivelmente  cansada ( e provavelmente com a cabeça latejando como a minha ! ) comentou:

 

-Só espero que estas crianças sejam os filhos DELA...

 

Ou seja: A pobre funcionária estava ‘rezando’ para que a mulher que esqueceu algo no carro fosse a mãe dos meninos e que ao sair da agência,  fizesse a caridade de levá-los consigo!  lol

But no chance.     A mulher não  era a mãe das crianças.  *Suspiro desolado*.

 

Eu apenas lhe dei um sorriso que era um misto de comiseração,  resignação,  e ‘get me outta here as soon as possible!’! , pois não era o  momento nem o local de  lhe expor a minha opinião sobre  ‘pais que não educam ou controlam seus  filhos em público e acham que O MUNDO INTEIRO  está aí para aturar (e de preferência achar lindo!)  seus ataques e macaquices endiabradas.’

 

Mas a senhora pelo visto estava mesmo com a cabeça atarantada e precisando desabafar.

Então, enquanto pesava minha encomenda e punha o selo,  continuou:

 

-Há uma cliente que vem à esta agência com um casal de gêmeos há anos e nunca,  até o dia de hoje,  entrou aqui sem que as crianças estivessem chorando...

 

Eu apenas mantive o meu sorriso de comiseração, resignação e ‘ Pleeeeeeeeeease,  get me outta here as soon as possible!’, mas isto pareceu incentivo suficiente para ela continuar:  

 

-E outro dia uma pessoa entrou aqui e disse  o seguinte ao seu filho : ‘Pode  correr e brincar aí ,  enquanto a mamãe envia  esta carta...’   Dá pra acreditar?   Ora, isto  aqui não é lugar para se correr e brincar! 

 

Agora ela  já tinha terminado de pesar e carimbar o meu pacote.  

Como já estava prestes a sair, achei  que deveria dizer algo para ‘mostrar uma certa solidariedade’ . ( É claro que eu não iria lhe dizer REALMENTE  o que penso . Ou seja:  Que apenas  10% da população mundial deveria receber uma autorização formal  do governo com direito a procriação!!  Afinal eu não queria deixar a pobre com os cabelos em pé -  além da cabeça latejando...) . Então me saí com esta: 

 

- Sinto pela senhora que tem que ficar aqui até às 5 .  Eu,  pelo menos,  já estou de saída...

 

É , eu sei,  não foi lá muito solidário , mas foi o melhor que os meus neurônios perturbados puderam fazer naquele momento.

 

Então eu paguei, recebi o troco e já estava quase na porta da saída  quando percebi que a funcionária havia se enganado na conta.  Ela tinha me dado o troco apenas para 10 dólares, quando na verdade eu havia lhe dado uma nota de 20!

 

Voltei, pedi licença à pessoa que já estava no guichê e informei a senhora de seu erro.

Ela olhou o meu recibo e logo  percebeu o engano.

Então, enquanto me voltava o dinheiro certo, disse:

 

- Desculpe,  eu marquei 20 no recibo mas lhe dei o troco como se fosse 10...

 

- No problem -   respondi,  com um sorriso agora  genuinamente satisfeito,  pois estava prestes a deixar as portas do inferno.  – Isto é simplesmente o resultado de TUDO AQUILO que a senhora acabou de falar...

 

-Exatamente!  - disse ela , com um sorriso por fim  agradecido.

 

-Good bye ... and good-luck!    - foram minhas últimas palavras, antes de deixar o correio e seguir para a Wallgreens à cata  de  um Tylenol.

 

 

P.S.  Até hoje não sei quem era a mãe dos garotos.

Acho que ela realmente PLANEJOU  de ficar incógnita na fila  para  melhor  poder observar  enquanto infligia  um pouco de seu ‘inferno, diário,  pessoal e intransferível....’  às pessoas  em volta.

 

É, como  dizem os childfree:  ‘Misery loves company’ !

 

    

 

 

 

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