Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Parada Essencial

Benvindos ao "Diário politicamente incorreto da Pâmelli" - uma brasileira/americana childfree, residente nos E.U.A. desde 2003 Viagens, cultura, desabafos e muito mais!

Parada Essencial

Benvindos ao "Diário politicamente incorreto da Pâmelli" - uma brasileira/americana childfree, residente nos E.U.A. desde 2003 Viagens, cultura, desabafos e muito mais!

Languedoc Roussillon

Pâmelli, 09.10.08

E então seguimos em nosso carrinho mínimo (  o Fiat 500)  , partindo de Avignon,  em direção ao Languedoc Roussillon -  aquela região da França combinando quilômetros de orla marítima ( e , ao contrário da maioria das praias da Côte d'Azur,  com AREIAS - ao invés de pedras...-  brancas e limpas!) e uma variedade de balneários , desde pequenas aldeias de pescadores até alguns resorts feitos sob encomenda.  Eu não via a hora de avistar o Mediterrâneo! 

 

Decidimos seguir para Sête -  uma destas cidadezinhas com tradição pesqueira e a cidade natal do poeta,  compositor  e cantor Georges Brassens  ( com suas músicas  meio picantes e  divertidas) , assim como  do poeta  moderno Paul Valéry .

No caminho para lá ,  passamos pela Camargue ( a região pantanosa da França , famosa pelos seus  flamingos,  os touros e principalmente os pequenos  cavalos  árabes brancos...) e alguns balneários mais simples como Les Saintes Maries de la Mer e  Le Grau du Roi.  

A surpresa foi  quando chegamos  em La Grande Motte   -  um resort evidentemente moderno e , imagino, feito sob encomenda para turistas com o espírito mais 'badalado'  e sofisticado -  mas ainda assim,  bem mais low profile do que os balnerários  da Côte d'Azur , famosos por seus festivais de cinema ,  milionários, cassinos e celebridades...  

As modernas  construções em La Grande Motte  são muito bonitas ,  com seus  prédios  lembrando a forma de  um navio e a  marina,  cheia de belas embarcações privativas e rodeada de   cafés e restaurantes  animados.

Por um momento pensamos em passar a noite por lá mas depois decidimos seguir  mesmo para Sête ,  conforme o plano original.

 

Afinal chegamos na  ' pequena pérola do Mediterrâneo' ...  Que  eu já tinha conhecido o ano anterior e havia gostado bastante. 

O hotel mais 'clássico'  da cidadezinha é o Grand Hotel , bem no centro , mas decidimos ficar em um mais simples e na parte mais moderna da cidade -  La Corniche. 

 Na parte antiga (  o Centro )  os prédios são em  estilo clássico ( Séculos 17? 18? ) , a avenida principal se chama 'Victor Hugo' :-)  e o teatro municipal é o 'Molière'  :-) . (Adoro essa mania que francês tem de dar nome de escritores famosos às ruas das cidades ! )

 

Sête é  cortada por vários canais      ( lembrando uma pequena Veneza)  e no bairro mais rústico dos pescadores há o  Vieux Port  ( o porto antigo),  de onde saem os barcos pesqueiros todas as manhãs. 

  La Corniche, onde ficamos,  fica à uns dez minutos do centro e é a primeira praia ao longo da orla.  São   quilômetros e quilômetros de praia de areia limpa, com o mar calmo e pouca gente .  (É verdade que já estávamos no final do verão ,  portanto já fora da  temporada.  Imagino que o lugar fique bem cheio no auge do verão e durante as  férias escolares na França...)

Ao longo da costa,  seguindo em direção ao centro da cidade ,  há uma bela estrada  e , ao lado,    um calçadão perfeito  para se caminhar ou andar de bicicleta.  Me lembrou a Avenida Niemeyer no Rio  - somente  com 'algumas diferenças' :  

Primeiro,     em Sête,  o morro  que acompanha a estrada é decorado por charmosas  villas , hoteizinhos  ou condomínios de apartamentos  (Na Avenida Niemeyer temos a  gigantesca favela do Vidigal ! ) . Segundo, na cidade de Brassens , do lado da costa , o mar é  o Mediterrâneo  :-)  -  e alí ,  ao contrário do que dizem das praias na Côte D'Azur,  a água é visivelmente limpa e sem poluição !   ( Já no Rio ,  as praias de Copacabana, Ipanema, Leblon,  São Conrado etc..., banhadas pelo Atlântico, há  muito que estão poluídas com o monte de esgoto (não tratado!)  que é  jogado  ao mar diariamente ! )

Por fim,   o melhor da história:  Na avenida a beira mar de Sête,  pode-se andar a pé,  de carro ou de bicicleta CALMAMENTE ,  aproveitando a vista , parando para conversar,  sentando-se  em um dos banquinhos para namorar  , tirar fotos ou filmar os arredores . 

 Sim,  conterrâneos brasileiros,   eu seguia  a pé , tranquilamente   com minha câmera digital e filmadora à tira-colo,  sem a menor preocupação ou sentimento de ansiedade!   O ar era leve , seco e limpo.

Já no Rio,  quem se atreveria a sair do carro e caminhar pela  Av. Niemeyer??  Aliás,  nem tem calçada (  muito menos calçadão!!)  para se andar ao longo da avenida  !

  Câmeras e filmadoras por lá ??  Boa idéia  -  para quem estiver pensando em um  suicídio bem rápido! 

A verdade é que na antiga Cidade Maravilhosa  ( Hoje , Cidade Calamitosa...) ,  atualmente não é preciso sequer sair do carro para se levar um tiro de bala perdida partindo de alguma favela , ou  uma bala muito bem direcionada e com o intuito bem específico  , saída  da pistola de algum assaltante de sinal...

(  Cariocas, se eu estiver mentindo, por favor,  escrevam e comentem no blog dizendo que  estou  inventando coisas e difamando o povo e a cidade do Rio de Janeiro! )

 

  Por fim, à noite jantamos em um dos restaurantes no centrinho turístico da cidade.

Sopa de peixe e camarões na chapa -  tudo com cara  e gosto mais de cozinha espanhola  :-((  seca e sem molho) do que francesa.  Afinal ,  Barcelona  estava apenas há poucas horas de distância...


Meu marido não ficou muito impressionado com Sête.  Talvez tivesse gostado mais de Nice , St. Tropez ou Cannes.  Mas eu sim.  

Adorei aquela cidadezinha à beira do Mediterrâneo , sem pretensão,  com hotéis baratos, turistas  principalmente  franceses e restaurantes simples mas charmosos.   Uma França com o espírito e o sotaque bem do Midi  ( Sul) ;   como as músicas de Georges Brassens....

 

 Talvez  tivesse me sentido assim porque  o lugar , em sua parte mais moderna como La Corniche , tenha me lembrado muito o Rio de ANTES .   Uma  espécie de 'mini -Barra da Tijuca', de  trinta anos atrás ,  quando  eu era pequena e as  praias ainda  eram limpas e quase desertas, as construções eram poucas e espalhadas,  o trânsito suportável e  os cariocas ainda tinham orgulho de sua cidade e eram  felizes... 

 

 

 

Comentar:

Mais

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Este blog tem comentários moderados.