Domingo, 16 de Fevereiro de 2014

Safari Africano, Texas style...

Ufa! Hoje finalmente volto ao blog para deixar aqui uma nota.

Acontece que  minhas aulas na U.T.  andam bem puxadas e ontem mesmo  tive um BAITA  teste no curso sobre o Império Romano.  Arre.

Bom,  pelo menos agora estou finalmente gostando do meu programa de "estudos de meia-idade", lol. 

 

Mas guess what... Ontem foi o meu aniversário!  (48,  Wow!!)

Pois é.  Faço  aniversário justamente  no dia seguinte ao  de “Valentine’s”  (Dia dos Namorados nos E.U.A.). 

A vantagem é que ganho presente duplo.{#emotions_dlg.smile}  A 'des', é que não dá para sairmos as DUAS noites seguidas. (Afinal, ninguém quer ficar GORDO e POBRE em menos de 48 horas!! lol) Então,  normalmente no dia 14 (Valentine's ) saímos para assistir à algum show, e no dia seguinte (meu aniversário) aproveitamos para jantar fora - sem precisar sequer reservar lugar e muito menos pagar os olhos da cara!

 

Acontece que este ano não teve nenhum show realmente  bom  para assistirmos no dia de Valentine's.  Então eis o que fizemos:

Fomos ao Alamo,  que preparou um menu especial  (Couscous Marroquino) para combinar com o filme ( “Casablanca”)  que  eles mostraram. (Para quem não sabe, o Alamo é um cinema diferente em Austin, que serve  comida durante a projeção…). 

Tanto eu quanto meu hubby  já tínhamos visto o filme , ANOS atrás,  muito antes de nos conhecermos.  Me lembro que na época não gostei tanto, mas ontem sim!  Desta vez pude apreciar bem mais a estória, os diálogos, assim como o charme e a elegância de Humphrey Bogart e Ingrid Bergman… Definitivamente um "clássico"!

 

Quanto ao dia de meu birthday…  

Ah, este ano resolvemos simplesmente  dirigir até o countryside ,  entre as cidades de  Austin e San Antonio,  e fazermos um SAFARI!  Lol  Isso mesmo.  Um safari em pleno Texas. {#emotions_dlg.smile}

 

O lugar que visitamos  se chama Natural Bridge Wildlife Ranch e tem animais  de mais de cinquenta espécies -  a maioria deles "imigrantes", lol,  da África ou Ásia.

Eu, que detesto zoológicos , (não suporto ver bichos em cativeiro!{#emotions_dlg.annoyed})  neste caso adorei o programa, já que  no parque os animais  estão todos soltos no meio da natureza, enquanto passamos de carro ao lado deles. O percurso dura cerca de duas horas.

 

Na volta,  paramos na  cidadezinha de New Braunfels,  que foi fundada por imigrantes alemães por volta dos 1840.  Lá  jantamos no Hotel Faust, de 1929, e  que tem um ótimo cardápio com algumas especialidades da cozinha alemã.  Tanto o meu  prato "Faust Wellington" ( salsichas envoltas em massa folheada, com molho de cerveja e queijo...)  , quanto o Reuben  (sanduíche de  rosbife com chucrute) que meu hubby pediu, estavam uma delícia!

Então aí fica  a dica:  Se um dia você estiver no meio deste descampado chamado Texas,  somewhere between  Austin e San Antonio… Não perca a oportunidade de dar um pulo até o Natural Bridge Wildlife Ranch e fazer o safari mais famoso do Lone Star State. Depois, siga até New Braunfels, que fica  a poucos quilômetros dali.

No primeiro lugar, você poderá  apreciar de perto os mais belos animais selvagens e até alimentá-los da janela de seu próprio carro! ( Você ganha um saquinho de ração logo na entrada do parque).  No segundo, poderá aproveitar um “pedacinho da Europa” em estilo alemão, com direito a cerveja artesanal e bratwurst em um pub ou hotel histórico.  

New Braunfels tem cerca de 60 mil habitantes e mais de um  saloon em seu centrinho ; além de alguns restaurantes alemães, incluindo um bem procurado:  O Alpine Haus ( Não conseguimos jantar lá pois não tínhamos feito reserva).

Existem também várias lojinhas de antiguidades ou thrift shops

Eu, por exemplo, hoje voltei pra casa com mais duas xícaras de porcelana inglesa para a minha coleção, que costumo chamar  de "Jane Austen", lol. (Adoro essas coisas de antigamente...)

 

E agora,  vamos ver alguns dos belos animais , livres e felizes, que vivem no Natural Bridge Wildlife Ranch?  ( As fotos eu tirei de dentro do carro, enquanto fazíamos o safari)

 

1)

 

O Aoudad ( bode?) . Eles vêm comer perto dos carros, de onde lhes jogamos a ração. (Algumas pessoas lhes dão comida na boca, mas não é recomendado pela direção do parque...)

 

2) 

 

Como bem podem ver,  tá todo o mundo bem "cheinho"...{#emotions_dlg.smile} 

 

 

3)

(Scimitar Horned Oryx)  "Em família" ,lol

 

4) 

 

Avestruz - a maior ave do mundo.

 

5) 

Grupo de Scimitars Horned Oryx... Eles usam seus longos chifres para se defender dos predadores ( Só que no parque estão a salvo deles)

 

6) 

O famoso Bison (bisão americano?).  Um dia eles encheram todo o Midwest (faroeste) americano, até serem quase totalmente dizimados pelo 'Homem Branco'.{#emotions_dlg.sad}

 

7) 

 

Como diriam os Cassetas, lol   "A Zebra é um animal TÃO vigarista... Mas TÃO  vigarista... Que já nasce com uniforme de presidiário!

Essa aí, da foto acima, enquanto comia da mão do motorista de repente simplesmente  meteu a cara toda  DENTRO do carro e roubou o saquinho  inteiro de ração, comendo tudo (incluindo o papel), bem na nossa frente! {#emotions_dlg.happy}

 

 

P.S.  Como vêem,  no Texas não está fazendo aquele frio horroroso lá do East Coast dos E.U.A.  Ontem , aliás,  o dia estava lindo e com a temperatura por volta dos 20 graus C. Que sorte a nossa!!

 

 

sinto-me: Em boa companhia no dia do meu birthday
publicado por Pâmelli às 17:33
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Sexta-feira, 29 de Novembro de 2013

No meio do nada - ou quase...

(Véspera de Thanksgiving)

 Amanhã é Thanksgiving Day  (Dia de Ação de Graças nos E.U.A.)  e  já estamos na estrada,  rumo ao estado vizinho do Novo México.  Nosso destino:  a cidade de Santa Fé – alias, onde estivemos pela primeira vez ( e gostamos muito!)  não faz muito tempo.

 Esta charmosa cidade alta (são cerca de 2 mil metros de altitude), de clima seco e com uma forte influência hispânica e indígena,  reduto de aposentados  bem de vida e muitos artistas e artesãos,  é tudo de bom.  Trata-se também da “terra das  lindas pulseiras, brincos e colares com a pedra local - a turquesa”.   (Até  já trouxe as que comprei lá da última vez pois em S.F.  o negócio é desfilar pelas ruas da cidade  coberta de  prateado e azul...lol)

  Pois é. Foi  pra lá que fugimos  neste feriado, para comermos o nosso bendito peru - o prato clássico do Dia de Ação de Graças .

 

Santa Fé está  a cerca de 11 horas de Austin, a capital do Texas.  Daí que faremos  a viagem em duas etapas, dormindo hoje já perto da divisa dos dois estados.

Estamos na estrada há umas boas seis horas e , como estamos cruzando o estado do Texas….Ai! Só o que temos em volta é  a mais pura feiura :  um monte de  cidadezinhas moquifos no meio da mais negra escuridão!  Em suma: cada  buraco mais deprimente  do que o outro.

No caminho conseguimos parar para jantar numa delas -  Brownwood-  que  tinha ao menos um shoppinzinho (“Heartland Mall”)  iluminado,  com uma loja da  JC Penney e uma “pracinha de alimentação”  com DOIS   lugares de fast food  -  um quiosque  de hot dogs e um Chick Fil-A .  Nada impressionante, certo?  Mas, believe me,   no meio de tanto lugar  “economically depressed” , o mall de Brownwood  parecia o próprio Casino de Baden-Baden!  

Seguimos então  para o  fast food  “especializado em galináceos”  e meu marido,  que nunca tinha estado lá ( ele detesta restaurantes de franquia e ainda mais de fast food!)  teve uma surpresa agradável : a moça do caixa lhe perguntou se era a sua “primeira vez”  no Chick Fil- A e quando ele respondeu que sim, ela lhe informou que ele era o “convidado da casa”.

 Pois é,  acabamos jantando de graça e  tanto o sanduíche de filé de frango de meu hubby,  quanto o meu cole slaw (saladinha de repolho com cenouras) e meus chicken nuggets estavam muito saborosos. Quer dizer,  os religiosos do Chick Fil- A ( que são notoriamente  contra os gays) foram muito gentis conosco .( Já se soubessem que se tratava de um casal childfree  [ não procriadores,  e portanto pecadores mortais!! ],  era bem capaz que tivessem  retirado o convite!  Lol )   Dentro do mall,  ainda avistamos uma lojinha toda  enfeitada com doces e balas de Natal e aproveitamos para comprar umas nozes tostadas, já que lá fora o frio está de rachar. (Sabiam que o  mallzinho fuleira de Brownwood tem até cinema?!)

Anyway,  agora estamos de volta ao  carro,  novamente no  meio da estrada e da mais negra escuridão ,  e já  são quase dez horas da noite.  Não é a toa que de vez em quando algum E.T. resolve aterrissar por estas bandas.  ( Alguem ainda   se lembra do “episódio”  de Roswell??  Pois não fica muito longe daqui, sabem?)

Quanto às  paradas no meio do caminho, nos postos… Arre égua!  São verdadeiros “shows de horrores”:   Não se vê uma única pessoa com o corpo normal por estas bandas.   Imagino que o índice de obesos por aqui deva bater nos  90%.  Mas tambem,  no meio  desse descampado árido e fedorento,  a milhares de quilômetros de uma praia, uma lagoa, uma serra ou mesmo um riachinho simpático… Só o que  resta na vida mesmo é COMER pra preencher o vazio na alma!

Pra não dizer que só vimos feiura e buracos de cidadezinhas deprimentes  desde que saímos da capital…  Ok,  houve um momento na estrada ( já estava escuro) em que  avistamos um belo e iluminado muro de pedra,  com um portão em ferro trabalhado ,  que eu imagino deva ser a entrada  do “rancho” de algum fazendeiro milionário  texano.  Vai ver era o rancho do J.R.  ,do seriado “Dallas”!  lol

 Já esta  noite vamos dormir em Lubbock – uma das maiores cidades aqui no noroeste do  Texas;  nesta terra de gado, petróleo  ( e MUITO  fedor , arre!)  que os Americanos chamam de Panhandle.  ( O fedor é por causa do estrume das fazendas em volta e da produção de gás pela exploração do petróleo) . 

Bom, pelo menos amanhã já amanhecemos bem pertinho da fronteira com o novo México,  que ao contrário do Texas,  tem uma bela e pitoresca paisagem.  São quilômetros  e mais  quilômetros  de deserto, sem  ninguém em volta, nenhuma cidade,  nada.  E nesta época do ano, muitas partes vão estar cobertas de neve.  Definitivamente,  um  cenário hollywoodiano de filme de índios e cowboys.

--

Lubbock, na manhã seguinte:

Surprise,  surprise

No meio de tudo isto, imaginem que hoje de manhã,  ao irmos tomar café no “ Denny's” ( uma franquia bem popular em toda a América e que  serve um café-da-manhã bem básico…) , em  plena Lubbock, in the heart of the Texas Panhandle…  não é que topamos com um garçom super gente boa!

  O rapaz,  coitado,  deve ser o próprio E.T. da região : Negro e meio cheinho ,  com o cabelo tingido de um vermelho vivo ( penso que talvez ele seja gay),  ele falava francês super bem pois morou na França um bom tempo e antes de voltar para Lubbock ( onde mora com a mãe) , trabalhou para a Delta Airlines de Minneapolis,  acolhendo os passageiros do Canadá francês ( Quebec).  

Simpático, inteligente e cheio de joie-de-vivre, ele  adorou ter alguem com quem falar francês.  Então,  quando  lhe perguntei o que ele fazia em Lubbock, ele respondeu : “NADA.  Além  de comer, dormir e trabalhar, pois não tenho um único amigo por aqui…”   No wonder!

  Então eu lhe disse que ele devia ir conhecer New Orleans, pois ali ele se sentiria num pedacinho da França do século 19…lol  De fato, pensei,  aquele rapaz, ao invés de estar servindo ovos mexidos no Denny's  de Lubbock,  poderia perfeitamente trabalhar como concierge no luxuoso Hotel Monteleone de New Orleans!

 What a shame

Enfim,  espero que siga o meu conselho e pelo menos dê um pulo até lá, nem que seja  só para conhecer. Alguem como ele certamente combina muito mais com uma cidade turística e sofisticada como New Orleans, do que com Lubbock ,no Texas!

Ok,  esta era a nota que faltava para fechar este post.


Agora,  Santa Fé,  aí vamos nós e Happy Thanksgiving para todos!

 

P.S.  Se este post sair no Parada,  significa que sobrevivi ao ar infecto com cheiro de estrume e cheio de gases venenosos  do “Texas Panhandle” …







 

 

  

 

 

 

sinto-me: Feliz por voltar à S.F.!
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Segunda-feira, 5 de Agosto de 2013

O espírito de Van Gogh no meu jardim?

Muita gente por aqui resolve fugir do Texas nesta época do ano - e com razão.

É que a média da temperatura no verão gira em torno dos 40 graus!  Fica todo o mundo rezando pra chover, ou pelo menos pro  verão acabar logo.

Menos eu.  lol

 

A verdade é que prefiro bem mais o verão no Texas do que o inverno - principalmente em Austin,  esta cidade  toda metida a  “natureba” , cheia de hippies, de  músicos… Enfim,  a  cidade ,  como bem se descreveu no filme Bernie : "das mulheres que não depilam as pernas…” {#emotions_dlg.happy}

(Alguem viu Bernie?  É imperdível,  e o Jack Black está de tirar o chapéu!!) 

Mas o fato é que o inverno não combina com Austin.  Houston sim, é uma cidade com "cara de inverno": chique, classuda,  visivelmente rrrrrica... lol

 

Mas sacanagem a parte,   eu bem que aproveito o verão aqui -  tanto na piscina da academia ( onde faço a minha meia hora de exercícios com o noodle 3x por semana),  quanto na famosa piscina de água natural de Barton Springs  que fica a apenas poucos minutos à pé lá de casa. 

  

E falando em verão ,  olhem só que coisa mais esquisita que aconteceu no nosso jardim durante as duas semanas que passamos na França!

Este pé de girassol simplesmente apareceu e cresceu,  assim,  totalmente  sozinho e sem mais nem menos.  Não é lindo?  Olhem só a flor!

Eu heim…                                                                                                                                                                .

Minha conclusão (meio antropomórfica,  é bem verdade…) é  a de que algum passarinho “ agradecido” pelo alpiste que vem comer em nosso  bird feeder  ( será que foi este aí o bom samaritano?) resolveu nos trazer algumas sementes da flor do mais famoso quadro de Van Gogh,  e voilà ! Não é que a planta pegou?!?

 

Anyway,   esta é a primeira vez que tenho uma flor de girassol de verdade  e, ainda por cima,  em meu jardim!

 

 

 

 

 

                                                                      

sinto-me: Intrigada com a natureza
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Sábado, 13 de Abril de 2013

O "Velho Sul" está mais próximo do que pensamos

   Hoje venho aqui para escrever sobre um tema bastante “Americano” e   bem contemporâneo:  O dia a dia dos  imigrantes  mexicanos  nos E.U.   

Caramba.  Esta semana  pude ver e ouvir em primeira mão como pode ser difícil ter ascendência  mexicana por aqui – principalmente se você vive no Sul dos E.U. e em especial em uma  cidade como Dallas!

 

A estória que vou contar me perturbou e revoltou  bastante pois me foi transmitida por uma colega do meu curso de Grécia Antiga -  a outra aluna que , como eu,  é umas das old girls , de nossa turma.  (Além de nós duas, tem  também um outro aluno coroa , na faixa dos cinquenta,  com a cara fechada,  sempre tomando  notas na primeira fila e sem falar com ninguém.  Uma pena pois  nós três bem que  poderíamos formar  o  “trio calafrio da  meia-idade” na aula de Professor B...lol)

 

Anyway,  minha colega  E. ,  é filha de pais mexicanos,  já passou dos 35 e estuda na Universidade do Texas há dois anos.  Seu  Major é  “Estudos Europeus” e ela tem uma bolsa integral, além de ajuda financeira para estudar  - o que significa que só pode ser  boa aluna.

E. veio para os E.U . com seus pais quando tinha 5 anos ; daí que  fala inglês perfeitamente e sem sotaque.  Na U.T. ela também estuda português,( que já fala muito bem) , além, é claro,  do espanhol.   

Ontem  combinamos de almoçar juntas após a aula e foi durante nossa longa conversa que ela me contou um pouco sobre sua vida aqui nos E.U.,  na cidade de Dallas , onde cresceu e morou até se mudar para Austin , dois anos atrás. 

Cá entre nós… Nunca fui muito fâ de Dallas pois , apesar de ser uma grande e rica cidade texana, assim como Houston,  ao contrário desta última ( que realmente é um tipo de “São Paulo, na sua melhor  versão de Primeiro Mundo..." ) ,  Dallas sempre me pareceu uma cidade meio caricata, com suas típicas  cowgirls  boazudas  , loirésimas e breguésimas ( bem ao  estilo Dolly Parton…), desfilando do alto de suas botas caríssimas e ultra caipiras!

O que eu não sabia é que a cidade  também era  super racista e que (mal) trata e persegue  os imigrantes  mexicanos -  até mesmo aqueles que são residentes legais,  com cidadania Americana  e instruídos -  assim como minha colega  E.

Acontece  que a moça tem a aparência realmente 100% hispânica, sendo bem escura de pele e de cabelos negros ( muito fartos e bonitos, por sinal…).  Mais:  tendo sido casada com um Americano bem ‘anglo’ ,  sua filha , hoje com 12 anos, saiu bem branquinha.  

Daí que , entre algumas das barbaridades que  E. me contou no almoço de ontem,  há 1)  o quanto ela foi  perseguida quando morava em Dallas, tendo sido várias vezes seguida por policiais nas ruas sem qualquer razão;  2) no bairro bom onde morava com o marido ( que é  advogado) em Dallas,  várias vezes,  ao andar pelas ruas,  ela ouviu Americanos brancos fazerem comentários críticos sobre sua pessoa e desaprovando  quando via o casal junto .  E 3) , o pior:   muitas vezes quando saía com a filha para passear,  as  pessoas lhe perguntavam se ela era a babá da garota !

Eu,  a medida que ia ouvindo,  meu queixo ia caindo e os cabelos ficando em pé. 

O que? – pensei .   Como isto é possível em 2013,  mesmo neste sul caipira e atrasado dos E.U.??  Ainda mais em um  grande centro urbano como Dallas! 

Mas se você, leitor,  pensa que  isto é um problema ‘tipicamente americano’  está enganado/a.   

No ano passado,  E. seguiu com um grupo de alunos da universidade  para um intercambio no norte de  Portugal . Antes de partir, foi advertida por mais de um colega que já tinha ido lá para  que  “não andasse  sozinha pelas ruas  pois, com sua pele morena escura,  poderia ser confundida com uma prostituta e receber alguma proposta indecente…’.   Que tal?

Ali eu a interrompi  e lhe disse que nunca tinha ouvido coisa parecida quando morei em  Lisboa, até porque me lembrava da cidade ter muitos imigrantes de origem Africana, principalmente de Angola e Moçambique.

 

-Vai ver que no norte do país é diferente…- foi o que E. me respondeu.

 

No final,  perguntei-lhe  se aqui em Austin ela tambem havia sofrido algum tipo de preconceito por ser Mexicana e ter a pele escura .  Para meu alívio  , ela me disse que não,  e assim confirmou o  que eu  já sabia sobre a capital do Texas : que aqui estamos numa espécie de oásis, isolados e ao mesmo tempo  rodeados de um  enorme  deseeerto , chamado TEXAS,   tanto do  ponto de vista  físico quanto cultural.

 

Conclusão:   Austin pode não ser nenhuma Paris ou Monte Carlo da vida, mas pelo menos é uma cidade livre de  preconceitos  e racismo em sua forma mais gritante.  Aqui todos têm a sua voz e o seu lugar por direito na sociedade,  sejam eles gays, latinos, hispânicos, negros, , deficientes,   moradores de trailers ou até mesmo republicanos bitolados.

Austin realmente é a “São Francisco” do Sul dos E.U.  – sem o mar e sem o Napa Valley,   é verdade , mas também sem terremotos! {#emotions_dlg.smile}

 

De minha parte,  eu aqui no meu velho espírito justiceiro,  não consigo deixar de ficar revoltada  ao pensar que tantas pessoas  decentes, instruídas e de bem, continuam sendo  discriminadas  em pleno Século XXI unicamente  pela cor de sua pele ou por causa do lugar onde nasceram. ( Como se pudéssemos escolher!)   Outras, contudo,    verdadeiros LIXOS HUMANOS ( de alma podre, , espírito de porco, atitude revoltante  e histórico de vida escabroso...)   não sofrem o mesmo tipo de preconceito simplesmente porque nasceram com a pele mais branca e os olhos mais claros. 

 

 Isto me lembra a segunda vez que fui à França, em 89, vinda do Brasil.  Estava muito elegante  com meu casaco de pele de carneiro , de  salto alto e maquiada... Mas o raio do "verdinho" (o passaporte brasileiro na época )estragou tudo: na hora de passar na imigração fui humilhada com dezenas de perguntas estúpidas e insolentes, enquanto que na minha frente,  um suíço bem ripongo, imundo e com o cabelo visivelmente piolhento passou tranquilamente sem que lhe fizessem uma única pergunta! (É por isso que hoje eu amo de paixão meu passaporte americano {#emotions_dlg.smile}: pode até  ter gente que não gosta dos yankees, mas ao menos eles os respeitam! ). 

 

 

Anyway,  minha colega disse que nunca mais voltaria para Dallas, nem que lhe pagassem.

Foi aí que pensei que a  justiça  às vezes tarda, mas não falha  No seu caso, por exemplo, ela veio em forma de um fellowship  (bolsa de estudos  com ajuda financeira) para estudar na U.T. de Austin – alias,  a melhor e mais conceituada universidade do Texas. 

 Dallas,  you may very well go to hell!  {#emotions_dlg.evil}

 

 

 

sinto-me: Com os cabelos em pé!
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Segunda-feira, 11 de Março de 2013

Un dimanche à la campagne...

 Este mês faz dez anos que cheguei nos E.U.A.!

Tambem  faz quase cinco anos que peguei a Lila do Abrigo de Animais  e que comecei com o  blog do "Parada Essencial".

Como o tempo passa!!

 

Já esta semana estou de férias da U.T. , pois é a semana de Spring Break...  Quer dizer, voilà uma boa oportunidade  para relaxar e aproveitar para adiantar a leitura dos capítulos das próximas aulas!

 

Meu curso de Grécia Antiga continua interessante.  Já o de latim... Que PORRE !  (Até cheguei a mudar o meu major , de "história antiga" simplesmente para 'história",  só para não ter mais que estudar latim no futuro!! lol)   O problema , pra mim,  é que a coisa é muito parecida com o estudo da matemática :  MUITA decoreba, tudo MUITO  racional e lógico {#emotions_dlg.snob}... E sem o menor espaço para a  imaginação, a naturalidade e  intuição!  

Nas aulas fazemos TUDO ao contrário do que se faz quando se estuda línguas vivas e modernas: aprendemos  TONELADAS de regras  de gramática, fazemos  traduções de quase tudo e praticamente nada de prática oral.  Quer dizer: Tô fora!! (Além do mais , nunca vou poder mesmo  falar ou praticar com ninguem,  já que todo o mundo que um dia falou latim já bateu as botas faz tempo!  lol)

 

Anyway,  hoje, em homenagem ao  'resgate' de cinco anos atrás, que mudou sua vida {#emotions_dlg.smile},  deixo aqui esta foto da Lila no "Salt Lick" ,  um barbecue place  tipicamente texano  onde  fomos no domingo passado.  O lugar é bem rústico, no meio do Hill Country (o campo nos arredores de Austin ) , a cerca de uma hora do centro da cidade.  Êeeeta programinha cowboy!!  

 

1)    

 Debaixo da mesa, Lila saiu de sua dieta habitual de ração e comeu vários  pedacinhos de um legítimo "churrasco texano".  Quase enlouqueceu!

 

2

Na fonte , perto do estacionamento,  uma visão do local -  tudo muito árido e no meio do nada!

 

3)

Na entrada do restaurante,  a escultura de uma bota típica de cowboy , com um cactús fincado dentro. 

Ainda resta  alguma dúvida de que você está no Texas? lol

 

 

sinto-me: relaxando no S.Break
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Sábado, 9 de Julho de 2011

Retrato do Texas em preto e branco

 

O Texas,  definitivamente não é o estado mais bonito ou  o mais charmoso dos E.U. 

Ninguem nega que é  GRANDE.  Aliás,  o segundo maior  na América  ( superado apenas pelo Alasca).   ‘Bigger than France’ ( maior do que a França)  , é o que os texanos costumam dizer.    Como se tamanho fosse documento…

Mas a verdade é que para a maioria dos americanos , ‘tamannho É documento’ !   Aqui,  quanto maior a coisa , ‘melhor’ - seja a casa onde se mora,  o carro que se dirige, o cachorro que se tem, ou a poltrona onde se senta.     É uma coisa cultural.

  

‘Everything is bigger inTexas’ (Tudo é maior no Texas)  -  dizem os texanos orgulhosos.  ( E eu , cá comigo, penso:  É verdade.  A começar pelas  baratas que são quase do tamanho de um sapato de bebé!!)

Nos  E.U.  até  a versão em inglês da música ‘Garota de Ipanema’ diz que a moça era ‘ TALL and tan and young…’ ( Alta, dourada e jovem…) , enquanto que na versão original do Jobim e Vinícius,  ninguem nunca disse a moça além de ter ‘ o corpo dourado do sol de Ipanema  e um balançado mais que um poema…’  tambem era alta.  lol

A mania do americano com tudo o que é grande é tanta,  que no Starbucks o copo de café 'pequeno' se chama 'Tall'.  É sério.

 

 

Mas voltando ao Texas…

O fato é que ‘ charme e  sofisticação’ são duas coisas que aqui  passaram de raspão ; assim  como um meteoro que estivesse seguindo em direção à Terra e no ultimo minuto  resolveu se desviar para  Plutão. 

Ok,  pra quem gosta de natureza no meio do deserto , há o Parque Nacional do Big Bend.  

O lugar é interessante, mas  está longe  ( como os texanos adoram enfatizar) ‘de tirar o fôlego’.  Bem, só se fôr depois de uma longa e árdua caminhada debaixo do sol do deserto ...

 De fato,  pra mim,  a melhor coisa que vi e experimentei  na região do Big Bend  foi o nosso hotel Lajitas ! Lol  -   este sim,  confortável e pitoresco,  além de ter um excelente restaurante de comida de   'caça exotica'.   ( Sim , eu experimentei os croquetes de  carne de cascavel com molho picante ! )

 

Já quanto às cidades neste estado ‘maior do que a França’…   Oh , my.  *Suspiro*

 Saindo dos grandes centros   ( Houston, Dallas, San Antonio e Austin ),  e a medida  que você se embrenha no interior … Bem,  para usar a expressão de um nova iorquino  que veio passar  uns dias por aqui  ( e que eu achei simplesmente perfeita! ) :

  Everything looks so  horribly economically depressed! (Tudo parece horrivelmente economicamente deprimido!)  lol    

O pior é que é verdade.  

 

As principais cidades:

  A conhecida Dallas( conhecida , acho eu, por causa do antigo  seriado de T.V….) é   basicamente  rica e … INCRIVELMENTE  brega.    Sorry, but  so it is.   Dallas é a cara ( e o corpo )  da  Dolly Parton !  Urgh.

 

Houston,  a cidade do concreto e viadutos por todos os lados,  é o  que se  poderia  chamar ( com muita boa vontade)  do ‘centro cosmopolita do Texas’.   Quer dizer:  se alguma sombra de sofisticação puder ser encontrada no ‘Lone Star State’ ,  é ali mesmo.   Grandes empresas de petróleo,  consulados gerais, o segundo principal  aeroporto internacional no estado...

 Ok,  Houston não tem charme, mas tem alguma cultura, incluindo vários  bons  restaurantes e alguns museus bem decentes.  E  fica perto da costa e da ilha de  Galveston -  que pode não ser nehhuma ilha grega , mas tem lá  sua própria personalidade,  uma  história triste mas interessante ,  e last but not least,  uma longa costa  virada para o Golfo do México.   So much for Houston.

 

Depois  vem Austin , onde moramos,  e a capital  do estado (  o que nos E.U. não quer dizer grande coisa…). 

 Trata-se de uma cidade de porte médio ( 1 milhão de habitantes approx..) e sem pretensão de ser nem cosmopolita nem um grande centro de negócios.   Mas é simpática,  muito arborizada,  com vários bons restaurantes, boas escolas  e  todas as principais lojas de departamentos  e franquias nos E.U.   Em suma:   Uma boa cidade para se viver – principalmente se você não é uma pessoa sofisticada por natureza,  pretende formar uma família e não se importa de morar  longe do mar.  (  Então , como vêem,  não é exatamente a  MINHA ‘ praia’ - literalmente ! lol )  

  Austin é a Belo Horizonte dos E.U. : ninguem pega um avião e vai lá simplesmente para conhecê-la   (como fazem com o Rio, apesar de todas a suas mazelas e violência…) ou para realizar uma viagem de negócios ( como fazem com  São Paulo).  Mas,  quem  visita a cidade  ( seja  por que razão fôr…)  , sai achando que conheceu  um lugar legal e sabe que , se  por um lado não esteve em nenhuma Paris da vida...,  tambem não passou por nenhuma Varginha!   ( Só espero que nenhum mineiro interiorano, orgulhoso  e hipersensível esteja lendo  o ‘Parada’ hoje … )

 

O pequeno oásis no meio do nada:

 Os  texanos que me perdoem,   mas charme , história,  cultura (  ou na falta disso tudo, pelo menos uma BOA  praia! ) é fundamental.  E é justamente tudo isso o que falta no Texas.   

 Ah,  mas há uma exceção:  a cidade de San Antonio!

 Pois é, e foi para lá que  demos uma escapulida no  domingo passado , na véspera  do feriado do 4 de Julho.

---

 

San Antonio é uma grande cidade , com um centro turístico bastante animado.   

Tem cerca de 1 milhão e meio de habitantes e em seu  downtown,   há  vários prédios imponentes  e com uma clara influência do colonial espanhol .    A parada obrigatória é no River Walk .  Ali,  ao longo do rio San Antonio,  tudo de repente fica muito colorido,  alegre, cheio de cafés, restaurantes , lojas  e hotéis.  O Hotel Hyatt,  em especial, tem um café( O JimCullum's Landing)  com música ao vivo ( jazz) virado para o rio , perfeito para um happy hour{#emotions_dlg.smile}

  Não há turistas internacionais em San Antonio, mas  há vários turistas americanos de outros estados nos E.U.

E certamente MUITOS  texanos - com certeza fugindo  , nem que seja  por um dia,  de suas cidades  ‘economically depressed’ ...

 

A ver algumas fotos:

 

1)

   Um dos vários cafés ao longo do River Walk ...

   Nesta época do ano o calor é na faixa dos 40 graus.  Portanto a melhor época para  se visitar S.A. é na primavera ou no começo do outono...  

 

 

2)

O passeio de barco no rio San Antonio é muito popular com os turistas...

 

3)

 As  frozen margaritas são um ótimo  drinque para se refrescar do calor intenso.

 

4)

 Bijuterias para todos os gostos nas barraquinhas ao longo do rio...

 

5)

Ou para quem quiser fazer compras 'de verdade',  o mall ( shopping center) do RiverCenter  é uma ótima opção ( construção ao fundo)

 

6)

A influência mexicana está por todos os lados em S.A.  - nas construções,  nos mosaicos...

 

7)

Este aqui,  logo na entrada do River Walk eu achei especialmente bonito...

 

 

 

sinto-me: Bem em San Antonio...
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publicado por Pâmelli às 18:55
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Quinta-feira, 6 de Janeiro de 2011

Uma passagem de ano bem texana...

 

 

Categoria de post:  diário    

 

 Desde que cheguei aos E.U. em 2003,   este foi o primeiro Reveillon que passei  realmente na CIDADE  de Austin. 

(O ano passado fomos à uma festa em casa particular - então não vimos nada do que ‘aconteceu’  downtown.  Nos anteriores,  passamos no Brasil ou na Flórida…)

 

Na verdade,  gostei bastante deste Reveillon  light e bem comportado,  passado em boa companhia,  sem estresse, agitação,  bebedeiras e baixarias.  Aliás, SEM fogos!! lol

 Não que no ano passado tenha tido nada disso,  mas como era uma FESTA em ritmo disco... A coisa foi muito mais 'intensa' ( mas não necessariamente mais divertida).

 

Desta vez fomos apenas quatro  pessoas :  eu , meu hubby  , minha mãe e uma amiga daqui. 

 Nosso jantar do 31 se passou em um charmoso restaurante italiano no centro de Austin  (o  'Carmelo's)  ,  cuja bela  construção em pedra lembra uma 'villa toscana'.

(Estranho como ultimamente a Toscana tem sempre estado ‘presente ‘  em minha vida,  de uma maneira ou de outra…) 

     O menu era ao mesmo tempo simples e sofisticado: lobster bisque ( creme de lagosta), salada de radicchio ( como se chamam aquelas folhas avermelhadas, meio amarguinhas e parecendo repolho??),  steak  ao  molho bearnaise e torta de framboesa.  Yummy!

 

Depois , pouco antes de bater a meia-noite,  seguimos a pé  pela Congress Avenue  -  a avenida principal no centro e onde fica o Capitólio ( Austin é a capital do Texas) -  até o hotel Driskill ,  que eu gosto de comparar ao Copacabana Palace no Rio , já que foi o primeiro hotel de luxo construído em Austin  ( em 1887) e não tem franquia em nenhuma outra cidade no  mundo. 

  Sim . Assim como o Copa  ,   o  Driskill  é um  hotel  ‘filho único’  ;  um privilégio apenas da cidade de  Austin.

 

O Lobby  é decorado com ‘temas  texanos’ -  confortáveis  poltronas e sofás estofados com couro  de vaca,  esculturas em bronze de cowboys em meio a cenas de rodeio,  uma linda clarabóia em vitraux  e ferro trabalhado mostrando a estrela ( e símbolo)  do Texas e,  na parede,  até mesmo a cabeça de um touro empalhado  com chifres e tudo !

( Outra coisa que eu adoro no Driskill é o banheiro feminino. Lol  É sério.

  Lindo , todo em cor-de-rosa,  com um sofazinho em  estilo francês no canto, um painel de vidro na parede  com bonecas  antigas de porcelanas, as pias em vidro  bisoté,  as toalhinhas em papel com o símbolo do hotel… Sim,  alí você se sente a própria Maria Antonieta – só que sem a ameaça da guilhotina! )

 

 Mas voltando ao lobby…   O local estava animado mas não cheio demais ( o que , para uma claustrofóbica como eu , é sempre uma bênção!)  e a maioria das pessoas vestiam preto.  Pois é.  Aqui, como na Europa,  o negro é a cor ‘ básica’ do Reveillon pois afinal estamos em pleno inverno.  Tambem via-se uma ou outra pessoa vestida  à caráter – de chapeu à la J.R. e com  as famosas botas texanas  ( a meu ver,  tão caras e reluzentes  quanto bregas! ).  Mas tudo vale. Festa de Reveillon é tambem uma espécie de ‘Carnaval’, certo?

Enfim,  para completar o décor  tipicamente texano, no centro  do salão, um  conjunto local  tocava música estilo southwestern  ( que é o country  do Texas).

 

Nosso  grupo    , em meio a tanta gente vestida de negro,  era  sem dúvida  um dos  mais ‘coloridos’ da noite.    ( E não.  Não estávamos vestidos de macumbeiros  - todos de branco , como no Brasil...-   mas sim de rubro-negro! 

 Minha mãe descolou uma  écharpe  em vermelho e prata , eu me armei de um top  de taffeta cor de sangue,lol  , além de um par de luvas de veludo da mesma cor , com pompons pretos no pulsos…O que fez com que meu hubby  dissesse que eu estava parecendo um ‘presente de Natal’ . ( Isto, vindo de um americano, pode ser considerado como elogio )   Ele, alias,  aproveitou pra estrear o pull de lã italiana cor de vinho que lhe dei na noite do 24. Já  quanto à   minha amiga americana,  esta  resolveu me prestigiar usando o colar e pulseiras de sementes de AÇAÍ  vermelhas,  que eu lhe trouxe de Jericoacoara no ano retrasado!

Sim,  nosso grupo , definitivamente estava bem ‘comme il faut’...

 

 

Passava um  pouco  das duas da manhã quando voltamos pra casa – de carro.  Tudo na maior calma, , sem tumulto, sem trânsito, gritarias ou gente esbarrando em você. .   Apenas uma ou outra pessoa falando mais alto na rua.  Ninguem tropeçando pelas calçadas ou batendo nas latarias dos carros. No ar, nenhum cheiro de cerveja ou urina.

 

O fato é que , nos E.U.,  é PROIBIDO beber nas ruas.  Você tomas seus tragos em casa, no bar ou no hotel, mas ninguem poder  sair pelas ruas da cidade com  latinha de cerveja ou garrafa de vinho em punho ( como eu vi nos Champs Elysées em  Paris ) e muito menos bebendo no gargalo.  Nem mesmo no dia 31 de dezembro.    

Por outro lado , como na maioria das cidades não há metrô e  o transporte publico é ineficiente ( para não dizer inexistente!),    todo o mundo já sabe que vai ter que dirigir de volta pra casa. 

O resultado: são realmente poucas as pessoas que entornam  o alcóol goela abaixo como se o 31 de dezembro  fosse o começo do fim do mundo e o planeta Terra estivesse com suas últimas horas contadas.

 

No dia seguinte...

 

 O primeiro dia do ano  foi a vez de voltarmos à casa  daquela animada vietnamita crescida em Paris . A mesma que deu a festa disco  de Reveillon no ano passado.

Desta  vez, contudo,  a reunião foi  mais  simples. Mas contou com uma atração especial:  o namorado de uma amiga , que é um chef francês,  nos deu uma demonstração de como se preparar uma deliciosa tarte aux pommes! ( torta de maçãs).

  Na ocasião, conheci  algumas figuras novas e reencontrei outras da festa do ano passado.

 

Minhas observações antropológicas ?

 Sim, eu tenho algumas para  deixar por aqui, mas estas ficarão para outra ocasião.

 

E o seu Reveillon?  Como se passou??

 

 

HAPPY NEW YEAR!   BONNE ANNÉE!   FELIZ ANO NOVO!

 

 

 

sinto-me: Pegando leve nas férias...
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publicado por Pâmelli às 03:08
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Sábado, 13 de Março de 2010

Austin , ou a capital do Texas...

 

Categoria de post:  turismo

 

 Ser a capital de um estado nos E.U. A. não quer dizer grande coisa.  Só para se ter uma idéia, algumas das principais, mais sofisticadas e famosas cidades na América, NÃO SÃO as capitais de seus estados - a ver: NY, Los Angeles, São Francisco, Miami,  Chicago...

Por outro lado,  ser a capital de um estado americano , ao menos  significa que você está em uma CIDADE  - e não apenas em um fim-de-mundo qualquer,  lá  em 'Deus me livre' , onde Judas esqueceu as botas!

 Sendo assim,  hoje eu dedico este post à cidade onde moro há 7 anos : Austin, a capital do Texas. ( Esse vai ser longo, portanto,  pegue um e sente-se confortavelmente antes de começar...) 

Muito bem, vamos lá. 

 

 Aqui , em geral , as pessoas são extremamente gentis, light e bem humoradas.  Na verdade , não fosse pelo fato de não termos praia ( quem nasceu e cresceu na beira do mar nunca se acostuma em viver longe dele...), eu diria mesmo que é 'Um excelente lugar para se morar '.

Nossa cidade tem tamanho  médio, (  cerca de 1 milhão de habitantes) e possui  todos os  principais hotéis,  lojas e franquias nos E.U., vários bons restaurantes,  excelentes hospitais, pouquíssima violência e um trânsito ainda  bastante suportável , mesmo na hora do rush.  De fato, se estivéssemos no Brasil,  Austin  seria  classificada como uma espécie de 'Curitiba' - a tal cidade 'modelo'.

Porém , aqui nos E.U.,   é apenas 'mais uma' ... :-)

 

Apesar de tudo isso ,  o lugar ainda guarda 'um certo ar de província',   com sua  gente calma,  sorridente, sem estresse ou agressividade.  Aqui,  quando algum desconhecido cruza com você na rua,  ele/ela lhe cumprimenta dizendo ' Oi , tudo bem?'  e quando um carro passa em frente à sua casa  e lhe vê mexendo no seu jardim,  as pessoas dentro  costumam lhe dar 'tchauzinho' !  lol  Aliás, este foi  um dos detalhes que mais espantaram minha mãe , quando veio nos visitar pela primeira vez , anos atrás...) 

Nota: Minha mãe mora no Rio de Janeiro.  (  Precisa dizer mais alguma coisa?? )

 

A coisa mais rara  nas ruas  de Austin ( inclusive mal vista !) é um motorista atrás de você lhe dar uma buzinada impaciente , seja porque o sinal já abriu e você ainda não percebeu , seja porque parou por algum motivo e está atravancando a rua  por alguns minutos.

Mas é claro que,  como em todo lugar ,  de vez em quando topamos com algumas figuras  'meio esquisitas' ...( Minha teoria é que se trata de pessoas neuróticas saídas de OUTRAS cidades  maiores e mais 'cosmopolitas' , do tipo NYC,  Houston, Dallas, Los Angeles etc...e sabe-se lá por que ,  resolveram vir  baixar o mal -espírito por aqui ! )

 

 E agora,  just for fun  e  indo contra tudo o que se imagina sobre o Texas ( a caipirice, o conservadorismo republicano, os imensos pastos cobertos de estrume e pipocados  de bois e cavalos,  os rodeios, os cowboys ...) , eis alguns lugares e programas 'bastante civilizados' , lol, que podemos encontrar nesta despretenciosa capital de estado:

 

1)  O Museu do French Legation-  a casa de madeira mais antiga da cidade ( simples para os padrões atuais , mas que  na época de sua construção ( 1840) ,  poucos anos após a fundação da cidade,  era considerada o auge do conforto e  requinte!    Foi alí que o diplomata  francês, Dubois de Saligny,  residiu e teve vários  'arranca rabos' com  alguns dos  rústicos habitantes locais...

(Quando cheguei à cidade em 2003 e ainda antes de ter meu greencard, foi lá que trabalhei durante cerca de quatro meses  como guia voluntária ...)

 

2)  O belo restaurante 'Mansion at Judges Hill' ,  no estilo 'E o vento levou'  , cuja construção data de 1895. 

( Eu heim!  A foto que estava aqui era a da fachada do restaurante - que fica tambem no hotel.  Agora apareceu esta do quarto... Vai entender!)

(Foi lá que este ano celebrei meu aniversário de número 44 ...)

 

3)  O Long Center -  o teatro de ópera e balé de Austin.  A construção, toda envidraçada,  oferece uma das melhores vista do skyline ( os prédios no centro )  da cidade...

 

4)   Town Lake  - o parque e a trilha em volta do  rio Colorado que corta a cidade...

 

5)  O campus da famosa e imponente Universidade do Texas  ( U.T.) .

 

6)   Barton Springs - a piscina de água natural ou  a 'praia' dos Austinites no verão.

Detalhe:  a água é corrente e limpa já que a fonte é logo alí...

 

 

   O fato é que a maioria das pessoas conhecem Austin como sendo uma cidade informal,  cheia de gente que gosta de natureza, esportes ao ar livre e muita, muita música.  ( Rock e Country) . ( Além de ser a única cidade do estado com uma maioria de eleitores democratas!)

 Aqui há muitos bares para se ouvir música ao vivo e se você não tiver o gosto musical muito exigente e  sofisticado ( ou seja, gostando principalmente de música  clássica, jazz e bossa nova...),  vai achar que a cidade  tem muita opção musical.

( Confesso que sinto falta de um bom clube de jazz ou piano-bar ao estilo 'Av. Paulista'/ Cerqueira Cesar  por aqui...lol)

 

 Finalmente,   talvez por causa de sua famosa universidade, Austin  é  principalmente uma cidade de gente jovem. Apesar disso, o fato de você não ter mais 20 anos não vai fazer com que se sinta 'fora de lugar' onde quer que esteja. 

O típico 'austinite' é um cara ou uma moça sorridente e boa praça, bem na dele e que  não tá nem aí se você já passou dos 40 e resolveu se tornar seu coleguinha de turma na faculdade local.  

A cidade tambem abriga um número considerável de  casais homossexuais - homens e mulheres - além de uma enorme comunidade latina, hispânica e oriental. 

Em suma:  Austin é ,  acima de tudo,  uma  cidade de inclusão social.

 

 

sinto-me: Escrevendo (só pra variar...)
publicado por Pâmelli às 20:31
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Terça-feira, 23 de Fevereiro de 2010

E TOME mais chuva e frio!

 

 Categoria de post:  diário

 

                                             Cerca de 9 horas da manhã...

 

 LONGE  de mim querer negar o aquecimento global ..., mas este ano ninguem no Texas pode dizer que não tivemos inverno!

É CHUVA e FRIO,  CHUVA e FRIO durante diiiiias  e  somente uma ou outra vez temos um dia seco e com o céu claro. 

Hoje , por exemplo,  a temperatura está por volta de zero e a previsão é de chuva  o dia todo.  Humph.

 

MAS...no domingo tivemos um dia lindo  ,  com o ceú azul,  sem uma única nuvem e a temperatura por volta dos 20 graus!  ( No final do dia, depois que o sol se pôs , esfriou um pouco...)

E o que foi que os 'austinites' (  as pessoas de Austin) resolveram fazer?

Encher o parque da cidade  !!   

 Então  pegamos as bicicletas e seguimos para  lá,  acompanhados de um amigo da Flórida que está hospedado lá em casa estes dias.

 

Eis algumas das fotos que tirei ontem em meio aos corredores, os cães, os carrinhos de bébés,  os ciclistas,  os casais de namorados e  grupos de amigos caminhando pela trilha do parque:

 

 

  

   1)  A caminhada ou o jogging ,com o centro da cidade ao fundo...

 

2)

     Até gente na 'bóia'  tomando sol no meio do rio tinha...LOL

 

3)

    Passeio de caiaque pelo nosso  Colorado (  o rio que corta  a cidade...)

 

4)

     'Vai lá pegar!' -  o esporte preferido  de muita gente e seus cachorros...

 

5)

    Tambem pode-se alugar canoas para um passeio a dois...

 

6)

Uma das pontes que cruzam o rio...

( Nosso passeio de bicicleta na trilha do parque foi de cerca de 3 milhas - uns 5 quilômetros...)

 

Pois é.   Quando a chuva e o frio dão uma trégua,  os cariocas seguem para  a praia,  os paulistanos vão para o Parque Ibirapuera,  os nova-iorquinos vão para o Central Park, e nós aqui em Austin,  vamos para o Town Lake ou Zilker Park!

Cada macaco no seu galho...

 

 

P.S.   Nosso hóspede acabou de sair e ao abrir a porta exclamou:

           'Tá nevando!' 

 

Hoje , quando fôr à Community College à tarde , já sei  que  vou  ter que tirar  do armário o casacão,  as botas ,  as luvas e  o gorro...

 

 

sinto-me: Com saudade do domingo de sol!
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publicado por Pâmelli às 15:43
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Quinta-feira, 5 de Novembro de 2009

Um ato de insanidade ou terrorismo?

 

Foi enquanto subia os degraus do stair-master  no Hills hoje à tarde que vi a notícia pela CNN.

Até hoje nunca tinha ouvido falar em Fort Hood - uma base militar quase aqui ao lado  de Austin!

 

Ao que parece foram 3 os atiradores -  o principal,  um major  de nome  Nidal Malik Hasan .  

 

Mais de 31  feridos.  Até agora 12 mortos.

 

Será isto apenas mais um ato  insano perpetrado por um grupo de pessoas  revoltadas  e desequilibradas  em posse  de  armas de fogo ?  

Ou  um novo ato de terrorismo dirigido contra os E.U.A.?

 

O fato de haver pelo menos 3 suspeitos e um deles ter um nome árabe  não é NADA,  NADA bom...

 

 

 

sinto-me: Aguardando as últimas notícias
publicado por Pâmelli às 23:30
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