Sexta-feira, 13 de Janeiro de 2012

Diário de Bordo- Um pedacinho da França no Caribe

Categoria de post:  turismo, diário

 

Nossa próxima parada foi na ilha da Martinica,  e esta pra mim foi a mais interessante de todas pelo fato de ali ser uma extensão da França -  não apenas uma ex-colônia francesa,  mas realmente PARTE da França atual!  Eu  não sabia disso .  Você sabia??

 

Sim,  a população da Martinica tem cidadania francesa,  as estradas entre as cidades da ilha são excelentes ,  assim como na França,  e com as mesmas placas de sinalizações.  A moeda  deles é o Euro.  (Nada mal heim ?  Mesmo nas  atuais circunstâncias…)

Talvez por isso nossa parada na ilha tenha sido de apenas 5 horas {#emotions_dlg.sad}  ( ao contrário das outras ilhas onde ficamos cerca de 8…).  Segundo minha tia ( que estava fazendo o seu cruzeiro de número 33 – lol - ) , as taxas portuárias ( que os navios devem pagar) são altíssimas e dependem do número de horas que ficam nos portos.  Isso explicaria o fato de nas outras ilhas terem  tantos  transatlânticos e  na Martinica ( justamente o único lugar onde a moeda é o Euro) o nosso ser o único navio atracado naquele dia!  Mas por outro lado,  não duvido nada que a grande maioria dos americanos  não se interesse em visitar a ilha ( e eles representam 90% dos turistas no Caribe),  já que lá , de preferência,  é bom se falar francês e os habitantes locais torcem o nariz na hora de receber em dólar .

Anyway, o  fato é que como tínhamos tão pouco tempo para descobrir aquele pedacinho da França no Caribe,  optamos por NÃO  irmos à praia naquele dia  e simplesmente visitarmos as cidades de Fort-de France ( a atual capital e onde o nosso navio atracou) e Saint Pierre,  aquela que foi a capital da ilha até 1902,  quando aconteceu  o impensável.

 

Uma história ao mesmo tempo fascinante e aterrorizante

   

A ilha da Martinica tem um vulcão ( o Mont Pelée), ainda ativo,   e que  explodiu pela última vez em 1929.  ( Fiquei sabendo disso  no Museu de Vulcanologia  que visitamos em St. Pierre).

Nossa  aventura histórica ( e arqueológica)  começou ao desembarcarmos em Fort-de France ( a atual capital), onde  pegamos uma van ( usada pelos habitantes locais ) em direção à Saint Pierre, a  cerca de 40 minutos de distância.

A estrada,  como já disse, era  muito boa - mas meio assustadora porque beirava a costa e era cheia de curvas!  A paisagem  da ilha é exuberante, com  os morros ainda inteiramente cobertos de vegetação ( e como no resto do Caribe, sem favelas empoleiradas neles…).   O motorista da van  corria como um louco e meu estômago a um certo ponto começou a embrulhar, but what the hell... estávamos na Martinica!{#emotions_dlg.smile}

Eu e  meu marido eramos os únicos turistas a bordo.

 

Afinal, chegamos em St. Pierre bem cedo ( fomos dos primeiros a desembarcar do Amsterdam, às 7 da manhã!!)  e o tempo estava meio nublado,  com uma chuvinha fraca e chatinha,  que ia e vinha.

Mas estávamos lá ,  e embora não pudéssemos  tomar o trenzinho que faz o tour pela cidade  contando toda sua história macabra  ( era cedo demais e teríamos de voltar antes da saída do primeiro trem ,  às 11 horas…),  com  a ajuda do meu fiel guia Eye-Witness,  ficamos sabendo da existência do Musée Vulcanologique , que tambem contava a história da cidade.   Foi a nossa salvação,  pois a guia alí era muito simpática e nos deu boas dicas de quais ruínas visitar a pé  , mesmo sem o tour do  trenzinho.  Além disso,  o museu em si é  bastante interessante,  com fotos  de St. Pierre antes da erupção de 1902 e alguns artefatos aterrorizantes , como um enorme  sino de igreja  parcialmente derretido pelas chamas do vulcão. 

 

 O pequeno vilarejo de St. Pierre fica na costa e sua praia tem a areia escura,    típica das ilhas vulcânicas.   Não sei dizer se tem praias boas para se nadar, mas suponho que sim,  assim como no resto do Caribe.   Hoje a cidade tem apenas 5 mil habitantes e  vive principalmente de turismo .  É uma espécie de “ Pompéia do Caribe”.    Contudo,  até 1902 era a principal cidade e  a capital da ilha .  Então houve a terrível erupção do vulcão , matando 30 mil pessoas e  destruindo tudo.   Só houve um sobrevivente :   Louis Cyparis.  

Como isto foi possível??

 

Louis estava na prisão da cidade ( cujas ruínas hoje podemos ver no alto de um morro…) e aparentemente as grossas paredes da masmorra onde se encontrava o salvaram.  Ainda assim, sofreu queimaduras de terceiro grau, ficando para sempre com a aparência  deformada.   Incrível é que  tenha sobrevivido - até porque só foi resgatado  por soldados franceses três dias após a explosão do Mont Pelée.   Depois disso,  Louis ainda viveu por mais de vinte anos, se apresentando como ‘atração turística’ em um circo da região.  Ao que parece , terminou seus dias  na Nicarágua.

 

Qual teria sido o seu crime para se encontrar  na prisão de St. Pierre naquele dia fatídico?

Imagino que,  como todo mundo que o conhecia morreu  ( inclusive todos os documentos de sua prisão  foram certamente destruídos pelo  fogo…),  ninguem mais podia acusá-lo de nada!   Tanto melhor  ( ou pior, sei lá...).

 

Enfim, nada de trenzinho. {#emotions_dlg.sidemouth} Mas,  seguindo o conselho da guia do museu, caminhamos  até as ruínas do que fora o antigo teatro  da cidade ( e cuja foto pudemos ver no museu), assim como a prisão ( lá em cima!)  onde Louis Cyparis se encontrava na hora da explosão.  

Ainda antes  de voltarmos para Fort-de –France,   no meio das ruínas próximas à praia,    encontramos um cachorrinho.   O lado bom é que tinha coleira e não estava magricelo ;  o ruim é que estava com a pata machucada.  Como ali por perto havia uma boulangerie, compramos um croissant e uma baguette ( meu marido nunca resiste às baguettes genuinamente francesas…lol) e lhe demos de comer.   ( O bichinho devorou tudo em  dois segundos, mas vai ver ( pelo menos espero…) que  era porque os pães ainda estavam quentinhos! )

Por fim seguimos ao longo da rua da praia de areia escura  até uma praça,  onde aparentemente acontece o mercado da cidade,  e lá pegamos a van de volta à capital. 

Nosso percurso de volta foi bem mais agradável pois o motorista dirigia bem mais calmo e,  na radio, tocava uma suave balada  caribenha cantada em francês. {#emotions_dlg.smile}  Então, não resistindo , perguntei ao rapaz ao meu lado que música agradável  era aquela,  e ele me respondeu que era de um cantor do Haiti…

 

Fort-de-France

A atual capital da Martinica  tem cerca de 150 mil habitantes  e é  um blend de França com  o  Caribe.  O  francês é a língua falada, mas soa ‘caribenho’.  As  ruas têm nomes franceses  , e  é claro que tinha que ter  uma rua principal chamada   “ Victor Hugo”  e  outra de   “ Avenue de la République !! lol .  A  arquitetura local  tem o seu evidente  toque europeu.  Contudo,  a população ( assim como nas outras ilhas do Caribe) é toda  negra .  Aliás,  não vimos nenhum turista francês , europeu e muito menos americano  por lá – nem em St. Pierre , nem em Fort-de-France. Mas  talvez eles ainda estivessem dormindo quando chegamos à ilha e apenas acordando quando tivemos de partir ao meio-dia!!  Afinal eu simplesmente não posso acreditar que os franceses não viagem à Martinica...  Seria como  se os  americanos não  se interessassem em  conhecer o  estado do Havai.  Impensável.

 

Ainda em Fort-de-France  passeamos ao longo do cais e vimos o Forte Saint Louis ( de 1638)  de longe -  que  aparentemente ainda é usado pelos militares franceses, por isso não está aberto a visitação pública.  No centro da cidade também visitamos a  famosa Biblioteca Schoelcher em homenagem ao escritor e abolicionista Victor Schoelcher . ( O prédio foi construído no final do Século 19 para  a Exposição Universal em Paris e depois desmontado e levado para a Martinica). 

Finalmente,  de volta ao Amsterdam e do deque de cima,  pude tirar esta foto da baía   e  mais esta  das construções nos morros ( NADA  de favelas, como podem ver...),   deste pedacinho de uma França exótica e colorida, tão pertinho da América.  {#emotions_dlg.smile}

  Magnifique  , não acham? 

 

sinto-me: Fascinada pela Martinica
publicado por Pâmelli às 17:05
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